4

—Na verdade, não entendo como puderam me julgar neste país sem que eu tivesse um advogado para me defender.

—É assim no meu país —disse Graciela—. Aqui a justiça só funciona quando tem dinheiro envolvido! Se você é pobre e não tem ninguém, te esmagam como uma barata, ainda mais se você se meteu com um poderoso, como os Heredia. Mas fique tranquila, tenho certeza de que em menos tempo do que imagina vai sair daqui.

A mulher tragou o cigarro e soltou a fumaça.

—Você vai ver que a justiça chegará.

Maite ficou olhando para a mulher que falava com tanta segurança, como se aquilo realmente pudesse acontecer.

—Por que você diz isso? —perguntou, sem conter a curiosidade.

—Por nada, só acho que, se você é inocente como diz, mais cedo ou mais tarde vai sair.

—Graciela Ramírez… você tem visita —informou uma guarda. Imediatamente, Graciela se dirigiu à sala de visitas.

Por outro lado, Emma havia ficado intrigada com o que sua amiga dissera. Se aquilo fosse verdade, ela não poderia permitir que esse segredo chegasse aos ouvidos de Marcos. Tinha certeza absoluta de que ele jamais a perdoaria. Sabia perfeitamente que ele não tolerava traições e que o pai dele o havia traído.

—Olá —ouviu-se a voz masculina do outro lado da linha.

—Pai.

—Olá, filha! Como você está? Você me ligando é um verdadeiro milagre.

—Estou bem —disse com frieza—. Só liguei para te perguntar uma coisa.

—O que você quer saber, minha filha?

—É verdade que o pai de Maite tinha provas que te envolvem em desfalques na empresa dos Heredia? —Depois dessa pergunta, o silêncio se prolongou. Aquele homem de meia-idade havia ficado sem palavras—. Fala, pai…

—Filha, me desculpe, eu… eu fiz isso pensando no seu bem-estar e no da sua mãe, que descanse em paz.

—Merda, pai! Por causa da sua estupidez você está prestes a arruinar meus planos de casar com o Marcos —cheia de raiva, desligou. Em seguida, pegou sua bolsa e se dirigiu à prisão.

—Maite Ferri, você tem visita —disse uma policial. Maite se levantou e sorriu de lado. Em seguida, dirigiu-se à sala de visitas para enfrentar Emma.

Ao chegar à sala de visitas, parou na porta observando sua melhor amiga, que estava sentada e olhava com nojo para todas as pessoas ao redor. Depois, dirigiu o olhar para a mulher da cicatriz, que conversava com um jovem que estava de costas, impedindo que ela visse seu rosto. Pela roupa que vestia, dava para dizer que era da alta sociedade, já que seu terno era de marca, das melhores marcas do mundo. Soltando um suspiro, dirigiu-se a Emma. Caminhou até ela e se sentou. Emma a olhou com repulsa e espanto, pois Maite estava ferida na testa, seus olhos cor de mel estavam irritados e as olheiras ao redor deles demonstravam que havia chorado muito. Emma sorriu por dentro, pois lhe agradava e enchia de satisfação saber que Maite estava sofrendo; tudo aquilo a deixava feliz.

—O que você quer de mim, Maite? Eu te disse para não me ligar mais, porque não quero saber mais nada de você. Você me trouxe até aqui com ameaças. Se o Marcos descobrir que te visitei, vai me trazer problemas.

—Seu pai é um ladrão e um canalha. Ele roubou muito dinheiro da empresa do Marcos. Isso sim que vai te trazer problemas! Além disso, Em… por que você se preocupa tanto em ter problemas com o Marcos?

—Você é burra ou o quê? Se o Marcos descobrir isso, ele vai me expulsar da fazenda e eu nunca mais poderei voltar…

—E qual é o problema? Ele sabe que você é minha melhor amiga e que não pode me deixar sozinha, porque sou sua melhor amiga, não é?

Maite se agarrava à ideia de que Emma não tinha nada a ver com aquilo, mas quando se lembrava do que havia acontecido naquela noite, em sua mente surgiam as suspeitas de que Emma a havia traído. Com um nó na garganta, observou sua melhor amiga, que revirou os olhos.

—Que pergunta é essa? Claro que sou sua melhor amiga, mas você sabe que não vou poder te ajudar.

—Sim, você pode, me deve isso —Emma sorriu e ajeitou o cabelo.

—Não te devo nada e não entendo por que eu teria que fazer isso… Eu não te mandei se enrolar com um stripper e, pior ainda, atacar a Elisa até deixá-la inconsciente no momento em que ela te encontrou com aquele homem.

—Você é hipócrita, Emma! Você sabe perfeitamente que eu não fiz isso. Foi você quem planejou tudo para me separar do Marcos.

Emma sorriu e ajeitou o cabelo novamente.

—Você está louca! Por que eu faria uma coisa dessas?

Cheia de raiva, Maite apertou a mão dela e rosnou:

—Por que o Marcos é o homem de quem você tanto falava na universidade? Diga se estou errada.

Emma engoliu em seco ao ouvir Maite; perguntava-se como ela havia descoberto. Bem, tinha que admitir que Maite era muito inteligente e certamente tirou suas próprias conclusões, já que foi a última pessoa que a viu naquela noite.

—Não sei do que você está falando, Maite.

—Não continue negando, eu já descobri sua máscara.

Emma soltou uma risadinha.

—Tudo bem, como quiser. Sim, fui eu que fiz —disse sem alterar a expressão; a mulher sorria como se o que havia acontecido fosse uma piada—. Eu paguei o stripper para dormir com você, também gravei o vídeo. Que pena que aquela velha metida da Elisa apareceu e estragou tudo; por isso tive que bater nela até a morte, mas a velha foi bem forte, olha só, continua respirando quando já deveria estar morta e enterrada.

Cada palavra que Emma soltava caía como facas afiadas no coração de Maite. Soltando um suspiro, esta última questionou:

—Por que você fez isso? Por que me odeia tanto? O que eu te fiz?

—Tudo —expressou Emma com desprezo—. Todos te adoravam na universidade, seu pai tinha um cargo mais importante que o do meu pai na empresa, Elisa te adora, e o que fez explodir minha raiva foi você ter roubado o amor do Marcos. Porque você tinha que colocar os olhos nele… sempre era você e depois eu, entende por que eu te odeio?

Maite deixou uma lágrima escorrer; nunca imaginou que Emma sentisse tanto ódio por ela.

—Eu o conheci primeiro, eu tinha que ser namorada dele, era comigo que ele deveria se casar, mas não, você teve que aparecer no caminho dele e roubar o amor dele. E com essa sua cara de mosca morta conseguiu enganar ele… eu não podia permitir que ele se casasse com você, por isso criei esse plano, por isso fiz tudo, e te juro, Maite, que não me arrependo de nada… matei dois coelhos com uma cajadada só, me livrei de você e daquela chata da Elisa.

À medida que ouvia sua amiga, Maite parava de sentir dor pela traição de Emma e trocava isso por ira, por raiva. Por isso, se levantou e sua mente se cegou.

—Cala a boca! Já! —gritou Maite eufórica. No segundo seguinte, agarrou Emma pelos cabelos e a arrastou por toda a sala de visitas. Todos os presentes se viraram para ver o espetáculo que se formara entre as duas mulheres.

Enquanto Maite a arrastava pelo corredor, Emma pedia ajuda e clemência aos policiais. Assim que ouviram os pedidos da mulher, foram em seu socorro. Duas policiais agarraram Maite, uma de cada lado. Então, quando finalmente ficou livre, Emma se levantou e ajeitou o cabelo. Apesar de ter sido arrastada por toda a sala de visitas, não estava satisfeita e quis lançar mais veneno.

—Sabe, Maite, ontem à noite o Marcos me fez dele, fez amor comigo. Eu fui mulher dele. Marcos foi meu primeiro homem, e tenho certeza de que depois do que aconteceu ontem à noite ele vai me pedir em casamento —o que Emma dizia partiu ao meio o coração de Maite. Marcos havia dormido com sua melhor amiga, ou ex-melhor amiga, porque depois de tudo o que aquela mulher havia feito, não podia mais considerá-la sua amiga. As palavras de Emma, de uma forma ou de outra, afetavam seu coração partido, e cada uma delas feriam as feridas que havia dentro de si. Mas depois pensou que sua amiga estava mentindo, por isso soltou uma gargalhada.

—Você, virgem, isso sim ninguém vai acreditar, porque a universidade inteira sabia que você foi mais usada do que banheiro público.

Emma cerrou os punhos e se encheu de raiva; no segundo seguinte, tentou dar um tapa em Maite. No entanto, esta última foi rápida e, com a perna, chutou a barriga de Emma, fazendo com que a mulher ficasse sem ar.

Depois que Maite lhe deu o chute, as policiais a seguraram com força e a tiraram do local. Antes disso, Maite disse a Emma que um dia sairia da prisão e, quando isso acontecesse, iria procurá-la e a faria pagar por cada momento amargo que lhe fez passar.

—Você vai ter que se esconder debaixo das pedras, Emma, porque eu juro que vai me pagar —todos os presentes ficaram observando a discussão das mulheres. No entanto, entre todos os curiosos, havia um que não se mexeu nem virou para ver. E esse era o jovem que havia ido visitar Graciela.

Quando Maite estava saindo, passou ao lado dele e lhe lançou um olhar rápido. Contudo, ele virou o rosto para o outro lado, como se tentasse se esconder dela.

Maite não deu muita importância, pensando que o homem se envergonhava de ter que visitar a mãe na prisão. Esqueceu rapidamente o assunto quando a trancaram novamente atrás das grades. Uma vez sozinha, jogou-se na cama e questionou, com os olhos cheios de lágrimas. Emma havia sido sua amiga por tantos anos, e nunca imaginou que faria isso com ela. Se ao menos tivesse sabido, se ao menos Emma tivesse lhe dito que o homem que amava era o Marcos, ela nunca o teria aceitado em sua vida. Perdida em seus pensamentos, ouviu as grades se abrirem e viu a mulher das cicatrizes se aproximar. Secou as lágrimas e se sentou.

—Você não merece isso —disse a mulher tentando consolar Maite. Mas como curar um coração destruído pelas duas pessoas que mais amava no mundo? As lágrimas não paravam de escorrer dos olhos de Maite, e seu coração continuava doendo.

—Amigas como ela não merecem suas lágrimas —aconselhou Graciela, aproximando-se e a abraçando. Aquele abraço só fazia Maite chorar ainda mais. Mas, ao mesmo tempo, aquele abraço quente aliviava seu coração destruído.

—O Marcos precisa saber, tenho que ligar para o Marcos —disse Maite, levantando-se e chamando um policial.

—Não —cuspiu o policial—. Você não tem permissão para fazer ligações. O senhor Marcos deixou claro que te negassem o acesso a qualquer tipo de chamada.

Maite se sentiu infeliz ao descobrir que Marcos havia dado aquela ordem. Pelo que podia perceber, Marcos não queria saber mais nada dela, e isso acabava de destruir ainda mais seu coração. Tristemente, acomodou-se na cama e, quando estava prestes a se deitar, Graciela lhe ofereceu seu telefone. Sem pensar duas vezes, Maite o pegou e discou o número de Marcos, que estava em seu escritório tentando se concentrar no trabalho. Franziu a testa ao ouvir o telefone tocar e viu que era uma ligação de um número desconhecido. Ignorou a chamada, achando que não era importante. No entanto, no segundo seguinte, insistiram novamente. Com um suspiro, Marcos levou o telefone à orelha.

—Quem é? —ouviu-se a voz forte de Marcos do outro lado da linha.

Maite engoliu em seco e suspirou.

—Marcos, sou eu —o rosto de Marcos ficou vermelho como um tomate ao ouvir aquela voz. Sem deixá-la falar, desligou a chamada. No segundo seguinte, ligou para a diretoria da prisão e fez algumas ameaças.

O diretor da prisão se dirigiu à cela de Maite.

—O que vocês estão fazendo parados aqui? —disse ao ver os policiais imóveis. Eles não entendiam por que ele os estava xingando. Quando o diretor abriu a cela, aproximou-se rapidamente de Maite e exigiu:

—Entregue o celular.

—Do que você está falando? —Maite não entendia por que o diretor estava pedindo o celular e se perguntava como ele havia descoberto.

—Revistem a cela e encontrem o celular —ordenou o diretor. Os policiais começaram a revistar cada canto da cela, inclusive elas. Sem poder evitar, encontraram o celular em posse de Graciela.

—Nunca mais lhe ocorra ligar para o senhor Marcos, porque senão vão te matar e a mim também —disse o homem ao sair da cela.

Maite se desculpou com Graciela pelo telefone que havia perdido e prometeu que lhe compraria um novo quando saísse da prisão. Depois lembrou que ficaria presa por muitos anos e se sentiu abatida.

—Não se preocupe —disse Graciela—. Vão me dar outro telefone, porque sem ele não vou conseguir me manter informada.

Maite sorriu; queria perguntar sobre o jovem que estava com ela na sala de visitas, mas decidiu ficar em silêncio.

Marcos estava furioso em seu escritório. Com o olhar perdido, deixou-se levar pelos pensamentos. Perguntava-se como aquela mulher teve a ousadia de ligar para ele. Será que queria provocá-lo? Sentia tanto ódio no coração que tinha certeza de que não teria se controlado se a tivesse na frente dele.

Desde a ligação, não conseguiu mais se concentrar. Decidiu sair do escritório e ir para a fazenda. Assim que chegou, Emma se aproximou ansiosa, esperando por ele o dia todo com ilusão. Ao vê-la, Marcos lhe lançou um olhar de desgosto e seguiu para o quarto. Mas Emma não iria deixá-lo ir tão fácil, por isso o deteve e perguntou:

—Marcos, eu estava te esperando.

—Para quê? —perguntou ele sem se virar para olhá-la. Ela suspirou e disse:

—Para falar sobre…

A voz forte de Marcos a interrompeu.

—Pare, não continue —disse ele.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP