Júlia Cavalcante
O som da cidade lá embaixo era apenas um murmúrio distante, uma sinfonia de luzes que parecia prestar homenagem ao silêncio sagrado daquela varanda. Lian estava sentado à minha frente, a luz das velas dançando em suas íris escuras, as tornando indecifráveis e, ao mesmo tempo, hipnotizantes. O jantar estava sendo uma experiência sensorial completa; o risoto de açafrão derretia na boca, e o cuidado com que ele me observava comer era quase palpável.
— Você está gostando? — ele pe