Letícia Bianchi
O ronco abafado dos motores do Boeing parecia acompanhar o ritmo acelerado dos meus próprios pensamentos. Pela janela redonda da aeronave, as nuvens estendiam-se como um mar de algodão sob a claridade implacável do sol de julho, mas a minha mente já havia atravessado o Atlântico. Estávamos voltando.
Depois de meses imersos na engrenagem mágica e caótica de Paris — entre o ateliê no Marais, os croquis espalhados pela mesa, as conversas de madrugada sobre o nosso futuro apartame