Cheguei em casa carregada de sacolas e brinquedos, o cansaço do shopping pesando nos ombros, mas a mente a mil por hora. Coloquei Dante na cama com cuidado; ele já estava entregue ao sono profundo, alheio a tudo. Ao me virar, dei de cara com Paulo encostado no batente da porta do quarto, me observando com um olhar denso, indecifrável.
— Por que tá me olhando desse jeito? — perguntei, sentindo a tensão subir.
— Eu tava pensando em uma coisa aqui... — ele respondeu, a voz mais grave.
— Que coisa?