Melanie
O aroma do escritório havia sido transformado. O cheiro de papel de documentos antigos e o medo que pairava ali quando cheguei haviam sido substituídos por algo que eu só podia descrever como a fragrância suave da conquista silenciosa. Eu podia sentir a esperança crescendo, e isso, ironicamente, me deixava mais alerta do que o perigo explícito.
Estava no meu segundo mês. Arthur. Era o nome que havíamos escolhido para o herdeiro que crescia no espaço antes ocupado apenas pelo meu estômago tenso. Pela primeira vez em minha vida, minha conquista mais vital não estava em um contrato, mas em um ultrassom.
Eu observava Daniel, agora com catorze anos, absorto em seu livro sobre estratégia militar. Ele havia se adaptado, mas nunca relaxado. A maneira como ele me chamava de "Tia Mel" era uma formalidade cautelosa, mantida para respeitar a complexa teia de nossas relações e os segredos que o cercavam. Ele era a razão de tudo.
Fechei o meu tablet. Ser Diretora de Risco significava qu