— Não! Temos que levar a Carolina primeiro para o hospital! Não posso deixar que nada aconteça com ela. Nada é mais importante do que a segurança dela!
O grito desesperado, urgente e fora de si de Samuel foi o último som que Giovana ouviu antes de perder a consciência. Uma escuridão infinita avançou, engolindo-a por completo.
Giovana sentiu como se tivesse tido um longo pesadelo. Quando despertou, abriu os olhos e viu Thaís, com os olhos vermelhos.
— Gigi! Eu acabei de voltar ao país e soube do seu acidente. O médico disse que você teve uma hemorragia grave e sobreviveu por um triz. Eu fiquei apavorada!
Ao vê-la, toda a mágoa que Giovana vinha reprimindo veio à tona. Seus olhos se encheram de lágrimas, ela não conseguiu mais se conter e abraçou Thaís com força.
— Não se preocupe, eu estou bem...
As duas amigas ficaram abraçadas por um bom tempo. Só depois Thaís lhe deu água e a ajudou a beber, e então, lembrando-se das recomendações médicas, tentou puxar conversa sobre assuntos mais leves.
— E então, você foi feliz nesses últimos anos? O meu irmão não te maltratou, não é? E aquele seu namorado? Quando vai me apresentar? Tenho que avaliar bem. Se ele não for bom para você, eu não aprovo!
A expressão de Giovana congelou por um instante.
— O Sr. Samuel sabe separar bem o pessoal do profissional, nunca me tratou mal. Quanto ao namorado... nós já terminamos.
Thaís não esperava por isso. Com medo de deixá-la triste, tratou logo de animá-la.
— Não tem problema! É como dizem: tudo acontece por um motivo. E a fila anda! Eu conheço vários gatinhos, vou te apresentar todos!
Antes que pudesse terminar, a porta do quarto foi aberta, e Samuel entrou, com o rosto sombrio.
— Apresentar o quê? Nada disso. Esses playboys que você conhece não prestam.
Ao ouvir a recusa imediata, Thaís fez um bico.
— Que playboy? Mano, não fala besteira. Ele só teve duas ou três namoradas. Você acha que todo mundo é como você, tão fiel assim, preso à Carolina? E, além do mais, agora você quer controlar até se apresento ou não um pretendente para minha amiga?
Ao ouvir isso, uma irritação surgiu no peito de Samuel, e sua voz ganhou um tom duro:
— Já disse que não é para apresentar ninguém. Sentimentos não podem ser forçados. Para de tentar bancar o cupido.
É, infelizmente sentimentos não podem ser forçados. É uma pena que ela tenha levado quatro anos para entender isso.
Giovana sorriu em silêncio. Puxou levemente a mão de Thaís e então olhou para ele, calma.
— A Thaís só estava brincando. Sr. Samuel, o que o traz aqui?
Ao ver que ela estava fora de perigo, Samuel suspirou aliviado. Instintivamente, quis dizer que estava ali para vê-la, mas, quando as palavras chegaram aos lábios, mudaram de direção.
— Nada demais. Thaís soube do seu acidente e veio direto do aeroporto para o hospital. Vim buscá-la para voltar para casa e aproveitei para ver como você estava.
— Tudo bem, mano. Eu volto mais tarde. Agora pode ir. A Gigi sofreu ferimentos graves, não ouse dar mais trabalho para ela. — Depois de dizer isso, Thaís praticamente o expulsou do quarto.
Quando ficaram sozinhas novamente, ela voltou a falar bem do irmão.
— Não liga, o meu irmão parece durão, mas ele é bom com você. A enfermeira disse que ontem você esteve à beira da morte e foi ele quem mobilizou a cidade inteira atrás de doadores de sangue para te salvar.