Após ficar alguns dias no hospital, Samuel não voltou a aparecer. Apenas pediu ao assistente que enviasse uma mensagem, dizendo para que ela descansasse bem e só retornasse ao trabalho quando estivesse totalmente recuperada.
Giovana não se obrigou a suportar mais do que podia. Só recebeu alta depois de se recuperar completamente do esgotamento.
Durante esse período, o grupo no WhatsApp da empresa estava pegando fogo. Todos comentavam sobre Samuel e Carolina.
Ele reservou a Disney inteira por uma semana para comemorar o aniversário dela, com fogos de artifício iluminando o céu por três dias seguidos.
Levou-a a um jantar em família e deu-lhe uma pulseira que, tradicionalmente, era passada apenas às noras da família Cunha.
Comprou um terreno para construir uma estação de esqui privada, cujo nome estava intimamente ligado ao de Carolina.
Giovana lia todas aquelas mensagens em silêncio. Dentro dela, já não havia nada, nenhum abalo.
Após receber alta, ela voltou ao trabalho normalmente, cumprindo suas funções impecavelmente.
Apenas quando surgia algo que precisava ser tratado diretamente por Samuel, ela passava a tarefa para outros colegas do escritório.
Depois de uma semana relativamente tranquila, Samuel voltou a ligar para ela.
Ela levou os documentos que ele precisava e estava prestes a sair, quando ele a chamou de volta.
— Vou para uma reunião. A Carolina não gosta de comer sozinha, então fique aqui e faça companhia a ela.
O rosto de Giovana enrijeceu. Ela ia recusar, mas, como de costume, Carolina já começou a lhe dar ordens:
— Gosto de camarão. Descasque um prato para mim primeiro.
Samuel fechou a porta do escritório. Giovana engoliu as palavras e caminhou até a mesa de jantar.
Depois de descascar um prato inteiro de camarões, Carolina mandou trazer uma grande bandeja de nozes e jaca.
— Quero comer fruta e nozes depois da refeição. Não tem utensílios aqui, então faça com as mãos.
Ao ver as cascas duras e os espinhos afiados, o coração de Giovana afundou. Ela sabia que aquilo era de propósito, uma forma de torturá-la.
Mas ela não tinha escolha, só lhe restava fazer o que mandavam.
Depois de abrir as nozes e cortar a jaca, suas mãos estavam cobertas de cortes, com o sangue escorrendo.
Carolina ainda não estava satisfeita. Mandou que ela fosse até a cozinha buscar a sopa, que tinha acabado de sair do fogo e estava extremamente quente.
Em poucos segundos, suas mãos ficaram vermelhas. A dor era tão intensa que ela não conseguiu segurar. Sua mão escorregou, e a sopa fervente se derramou sobre seu corpo.
O vapor subiu de imediato. Em segundos, bolhas começaram a se formar em sua pele. A dor ardente se espalhou, e ela mordeu o lábio com força, abafando o gemido.
Ao ver Giovana caída no chão, Carolina mal conseguiu conter o riso. Mas, no instante seguinte, ao ouvir a porta do escritório se abrindo, ela mudou de expressão, passando a repreendê-la com falsa indignação:
— O Samuel disse que você é competente, mas como consegue derrubar até uma simples tigela de sopa? Até a minha mão foi queimada!
Ao ouvir isso, Samuel imediatamente se alarmou e correu até ela.
— Onde queimou? Deixa eu ver. Está doendo?
— Só respingou um pouco, mas e se isso deixar cicatriz? — Carolina ergueu a mão, que ela mesma havia apertado até ficar vermelha, e deixou escapar duas lágrimas.
— Como você pôde fazer isso? A Carolina foi criada como uma princesa, nunca sofreu nenhum tipo de ferimento. Pedi para você trazer uma sopa e você a queimou? Não sabe manter distância?
O rosto de Samuel escureceu, e ele não conseguiu evitar repreender Giovana.
Mas, ao ver os ferimentos dela, não conseguiu continuar com dureza. Apenas pegou Carolina nos braços para tratar da queimadura.
Antes de sair, ao perceber que Giovana ainda estava parada, perplexa, ele disse em tom grave:
— Venha conosco ao hospital. Aproveite para tratar isso também.
Giovana só pôde suportar a dor e entrar no carro.
Durante o trajeto, Samuel dirigia rápido.
Carolina, com medo de que ele percebesse que estava fingindo, gemia de dor de vez em quando.
Ao ouvi-la, ele se sentiu angustiado e olhava para ela repetidamente. Com a atenção desviada, Samuel distraiu-se e não percebeu o carro esportivo que vinha em alta velocidade.
Com um estrondo, os dois veículos colidiram de frente. Com o impacto, o corpo de Giovana foi arremessado contra a porta. Parecia que seus órgãos tinham sido deslocados. Uma dor lancinante percorreu seu corpo.
O sangue começou a jorrar, tingindo seu mundo de vermelho.
Seu corpo tremia incontrolavelmente. Com dificuldade, ela abriu os olhos e viu Samuel carregando Carolina para fora do carro.
Ao longe, o som da ambulância se aproximava. Em meio à consciência turva, ela ouviu vozes urgentes:
— Senhor, essa moça só desmaiou por susto. Mas a passageira do banco de trás está com hemorragia grave, se não for levada imediatamente ao hospital, pode correr risco de vida!