Capítulo 8
Ao ouvir aquilo, Giovana ficou sem reação por um instante. Mas, pouco depois, recuperou a lucidez.

Ele mobilizou toda a cidade atrás de doadores de sangue apenas porque não queria que ela morresse.

Mas, entre ela e Carolina, se alguém tivesse que morrer, essa pessoa, sem dúvida, seria ela. Por isso, ela não nutria mais nenhuma ilusão em relação a ele.

Nos últimos dias na capital, Giovana permaneceu no hospital, se recuperando.

Quando as enfermeiras faziam as rondas, vez ou outra comentavam sobre a ala VIP no andar de cima.

— Dizem que o presidente do Grupo Cunha reservou o andar inteiro e chamou os professores aposentados mais renomados da capital só para cuidar da namorada!

— Eu vi várias vezes! O Sr. Samuel pessoalmente serviu chá, água, comprou um monte de joias e presentes para agradá-la. Ficava a noite inteira ao lado da cama. Ele é tão carinhoso!

Giovana ouvia aqueles comentários em silêncio, levando a mão ao peito. Já não sentia mais nada. O coração só batia, lento e distante. Ao que parecia, as feridas dentro dela também estavam quase cicatrizadas.

No dia da alta, Thaís pretendia ir buscá-la, mas acabou sendo impedida por assuntos familiares.

Giovana a tranquilizou e deixou o hospital sozinha, voltando para a empresa.

Era seu último dia de trabalho e ela seguiu todos os trâmites e formalizou sua demissão.

Com a caixa de pertences nos braços, ela preparava-se para ir embora, quando encontrou Carolina na entrada do elevador.

Segurando uma xícara de café, ela deliberadamente esbarrou em Giovana.

— Você não olha por onde anda? Sujou meu vestido! Você faz isso de propósito, não é?

Carolina encenou aquilo como se fosse verdade e, em seguida, chamou os seguranças, ordenando que a forçassem a se ajoelhar na entrada da empresa como forma de punição.

Giovana se recusou a ceder. Mas isso só fez Carolina ir mais longe e jogar o restante do café diretamente no rosto dela.

— O que foi? Não está satisfeita? Vou te dizer uma coisa: o Samuel só tem olhos para mim. Não importa o que eu faça, ele sempre vai ficar do meu lado. Muito menos deixaria de punir uma secretária insignificante como você.

Depois de dizer isso com arrogância, virou-se e foi embora.

Os seguranças arrastaram Giovana para fora e a forçaram a se ajoelhar.

Ela lutou, tentou se soltar, mas não conseguiu. Então, tentou argumentar:

— Eu já me demiti. Não sou mais secretária do Samuel. Com que direito vocês me obrigam a me ajoelhar?

Os seguranças não demonstraram qualquer reação.

— O Sr. Samuel já deixou claro que concorda com tudo o que a Srta. Carolina diz. Qualquer ordem dela deve ser cumprida. Se tem algo a dizer, fale com o Sr. Samuel.

Essas palavras frias bloquearam completamente qualquer tentativa de defesa.

Ela sabia que insistir não adiantaria, então parou de lutar.

As pessoas que passavam, colegas e desconhecidos, cochichavam entre si. Alguns até tiravam fotos.

Em pleno inverno, ela ficou ajoelhada do lado de fora por sete horas. A pele dos joelhos se rompeu. Seu rosto ficou roxo de frio, o corpo tremia sem parar. Só conseguiu aguentar à base de pura força de vontade.

Já perto do fim do expediente, sua consciência começava a vacilar, quando ouviu alguém chamar seu nome. Com esforço, ela ergueu a cabeça e viu Thaís correndo até ela.

— Gigi! Você acabou de sair do hospital, por que está ajoelhada assim? Quem está te fazendo passar por isso?

A garganta de Giovana estava seca.

— Foi... a Carolina... — Instintivamente, respondeu.
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