Capítulo 3
Observando a silhueta dele se afastar pouco a pouco, Giovana finalmente não conseguiu mais conter as lágrimas que segurava há tanto tempo.

Ela se forçou a se levantar, suportando a dor, e foi buscar uma vassoura e um esfregão para limpar o chão coberto de xícaras quebradas e café derramado.

Alguns colegas de bom coração foram ajudá-la, com os olhos cheios de compaixão.

— Eu ouvi aquela moça dizer que queria com gelo e sem açúcar. Como é que ela pôde inverter a situação assim? Gigi, você fez alguma coisa para irritá-la?

— E precisa fazer alguma coisa? Já ouvi muita gente dizer que ela é assim mesmo, arrogante e mandona. Qualquer coisinha que a desagrada, ela já faz escândalo. Muitas pessoas no ramo não gostam dela, mas como o Sr. Samuel a adora tanto, ninguém se atreve a se meter com ela.

— Aff! Eu nunca vi o Sr. Samuel gostar tanto de alguém assim. Gigi, daqui para frente toma mais cuidado. Nós somos pessoas comuns, não dá para competir com uma herdeira como ela. Ainda mais com o Sr. Samuel como apoio. Mesmo que você sofra uma injustiça, só pode aceitar e acabar engolindo em seco.

Giovana sabia que tinham boas intenções. Mas, ao ouvir aquilo, ela foi tomada pelas emoções, e não conseguiu dizer uma palavra sequer.

No passado, um contrato sob sua responsabilidade teve problemas. A culpa era da empresa contratante, mas jogaram toda a culpa nela. Diante das acusações e da pressão, Samuel acreditou nela o tempo todo e argumentou a seu favor para limpar seu nome.

Mas agora, bastou Carolina soltar uma mentira qualquer para ele, sem nem se dar ao trabalho de verificar os fatos ou lhe dar a chance de se explicar, jogasse toda a culpa sobre ela.

Ela sempre trabalhou com dedicação, resolveu tantos problemas para ele, e no fim, ele nem sequer confiava nela? Ou será que para ele não importava se ela estava certa ou errada, o que importava era a felicidade de Carolina?

Ao pensar nisso, Giovana sentiu uma dor aguda no coração.

Levou um bom tempo até conseguir limpar tudo. E, após isso, ela arrastou o corpo exausto de volta para casa.

Mal tinha terminado de tomar banho quando o telefone tocou.

— Traga bolsas térmicas quentes. — Era Samuel.

Ela preparou tudo o mais rápido possível e levou até a mansão dele.

Depois de dois ou três dias sem ir lá, a casa que ela lembrava, simples e elegante, estava completamente diferente.

O pessegueiro que o Sr. Agenor havia plantado com as próprias mãos, tinha sido removido, substituído por um jardim de tulipas. Os móveis pretos e brancos foram trocados por tons rosa e amarelo, que Samuel detestava. Num armário de vidro estavam joias, bolsas e presentes...

Era claramente o estilo de Carolina.

Giovana observou tudo em silêncio, caminhou até o quarto com a luz acesa e bateu à porta.

Pouco depois, Samuel abriu a porta, pegou as coisas e só então olhou para ela.

Sem as manchas de café, os ferimentos em seu rosto pareciam ainda mais chocantes. Ele ficou momentaneamente surpreso.

— Está tão machucada assim? Já foi ao hospital?

Giovana não respondeu, apenas balançou a cabeça.

— A Carolina não estava se sentindo bem, ela não fez por mal. Não leve para o lado pessoal. O salário que eu cortei será compensado no seu bônus de fim de ano. Depois vá ao hospital, se for grave, tire alguns dias de folga. Eu aprovo, não precisa seguir o procedimento. — Ele pressionou a têmpora, e seu tom, incomumente, suavizou.

— Não precisa, depois deste mês eu vou... — Giovana queria dizer que partiria em breve, mas ele não a deixou terminar. Entregou-lhe um cartão, interrompendo-a.

— Fique bem. Também preciso que você organize um jantar de boas-vindas para a Carolina. Descanse e se recupere.

As palavras que ela não conseguiu dizer ficaram presas na garganta.

Ela assentiu com um murmúrio, pegou o cartão e deixou a mansão.

No instante em que a porta se fechou, ela ouviu a voz manhosa de Carolina:

— Samuel, o chá já está pronto? Quero que você massageie a minha barriga...

— Já estou indo. Fique deitada, não se mexa.

Ao ouvir aquele tom suave e reconfortante, Giovana sorriu em silêncio, um traço amargo passou pelo seu olhar. Ela também tinha muitas cólicas. Várias vezes chegou a desmaiar de dor na empresa e foi levada ao hospital pelos colegas.

Quando ele soube, apenas aprovou sua folga, nunca foi vê-la, muito menos preparou algo como um chá ou compressas quentes.

Na época, ela pensou que ele estava ocupado demais. Mas agora estava claro que não era falta de tempo, era falta de sentimento.

Depois de sair da mansão, Giovana passou no hospital para fazer um curativo simples.

Descansou em casa por alguns dias e, então, recebeu do assistente o plano do evento. Desde a escolha das flores até os tipos de sobremesa e o uniforme dos garçons, tudo havia sido meticulosamente planejado.

Ela tinha apenas três dias, só lhe restava reunir todas as suas forças para preparar tudo.

Após dias de correria e esforço, o evento que ela organizou começou pontualmente às sete da noite.

Carolina apareceu usando um vestido elegante de alta-costura, entrando sob todos os olhares.

Os convidados se aproximaram para elogiá-la, enchendo-a de agrados.

— Faz tantos anos, e a Srta. Carolina continua tão elegante e radiante como antes. Até uma simples festa de boas-vindas é grandiosa. Parece que o carinho do Sr. Samuel por você nunca mudou!

— Lembro que, na época da escola, alguém se declarou para Carolina e o Sr. Samuel obrigou o rapaz a se transferir de escola. Toda carta de amor que chegava, ele a rasgava. E, quando ouviu alguém falando mal dela, foi dar uma lição neles, bateu até os ossos quebrarem...

— Todo mundo sabe que Carolina é o primeiro amor do Samuel, o tesouro que ele guarda com tanto esmero! Olha esse conjunto de joias que ela está usando, deve valer milhões! E esse vestido, feito sob medida, só tem um no mundo. Se for para fazê-la feliz, ele nunca mede esforços!
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