Depois do fim de semana, na segunda-feira, Giovana chegou à empresa pontualmente.
Como de costume, ela tratou do seu trabalho normalmente e avisou Samuel de que uma reunião começaria em breve. Ao se aproximar do escritório, por meio da porta entreaberta, ela viu Carolina sentada no colo de Samuel, levando até a boca dele um biscoito do qual já havia comido metade.
O homem, conhecido por sua mania de limpeza, sorriu e comeu sem hesitar, depois beijou com intimidade os dedos dela.
— Ontem você comentou que queria comer essa sobremesa. Então hoje de manhã fiquei três horas na fila só para comprar para você. Gostou? — Samuel disse com uma voz suave.
— Está uma delícia, como sempre. Doce na medida certa, sem ser enjoativo. Você sempre se deu ao trabalho de atravessar a cidade para comprar para mim. Mas agora você é presidente da empresa, por que ainda faz isso? Bastava mandar um assistente.
— Quando se trata de você, eu mesmo quero fazer. Não quero depender de ninguém. — Samuel massageava suavemente o tornozelo dela, com o olhar transbordando carinho.
Um doce sorriso surgiu no rosto de Carolina. Ela se inclinou e o beijou por iniciativa própria.
Ele retribuiu o abraço, aprofundando o beijo, completamente entregue, incapaz de se afastar.
Ao ver aquela cena, Giovana prendeu a respiração. Uma sensação amarga a invadiu. Ela cerrou os dedos com força até os nós ficarem brancos, e as unhas quase feriram a palma da mão.
O tempo passou, e a reunião estava prestes a começar.
Giovana se recompôs, levantou a mão e bateu na porta.
— Sr. Samuel, a reunião vai começar em breve.
Ao ouvir sua voz, Samuel hesitou por um instante. Quando ia se levantar, Carolina o puxou de volta.
— Não quero que você vá. Fica comigo mais um pouco, vai?
Diante daquele jeito manhoso, o coração de Samuel praticamente derreteu.
— Adiem a reunião por duas horas.
O projeto a ser discutido na reunião envolvia a cooperação entre vários grandes grupos importantes da capital, algo crucial para o futuro da empresa.
Giovana sabia o quanto aquilo era importante, mas ainda assim não conseguiu deixar de lembrar:
— Os presidentes do Grupo Lima, Grupo Castro e Grupo Silveira já estão esperando na sala de reuniões...
— Ai, Samuel, essa sua secretária é tão irritante! Não tem o menor tato!
Ao ouvir a reclamação de Carolina, o rosto de Samuel esfriou.
— Já disse que é para adiar por duas horas. Nenhum trabalho é mais importante do que Carolina!
O peito de Giovana apertou, como se faltasse ar.
Mas, no fim, ela apenas fechou a porta e se virou em silêncio.
Todos no ramo sabiam que Samuel era viciado em trabalho. Não importava quão ocupado estivesse com assuntos pessoais, mesmo depois de uma cirurgia, ele ainda assim lidava com o trabalho.
E, no entanto, por causa de algumas palavras manhosas, ele arriscava ofender parceiros de negócios importantes e adiava uma reunião tão crucial. Era a primeira vez que isso acontecia.
Ele gostava tanto assim de Carolina?
Giovana abaixou os olhos apagados, forçando-se a recompor o ânimo antes de entrar na sala de reuniões e pedir desculpas aos membros do conselho.
A família Cunha era poderosa. Embora os outros presidentes estivessem insatisfeitos, não ousavam criticar Samuel, então descarregaram toda a irritação nela.
Sem ousar retrucar, ela apenas abaixou a cabeça e suportou as broncas.
Depois de aguentar firme por duas horas, Samuel finalmente apareceu.
Com as pernas dormentes e doloridas, ela saiu da sala de reuniões, mas logo foi chamada por Carolina.
— Você é a Giovana? Ouvi o Samuel dizer que você faz um ótimo café. Acho que o pessoal do escritório está cansado, vá preparar uma xícara para cada um. A minha, com uma pedra de gelo, sem açúcar.
Giovana sabia que a atitude autoritária dela vinha do favoritismo de Samuel, então não ousou desobedecer e foi até a copa.
Levou duas horas para preparar mais de quatrocentas xícaras de café, servindo uma por uma.
Mas, logo no primeiro gole, o rosto de Carolina mudou.
Ela ergueu a xícara e a arremessou. A xícara acertou a testa de Giovana, abrindo um corte sangrento.
Ela soltou um gemido abafado, o rosto contraído de dor, e caiu no chão, cobrindo o ferimento.
Carolina ainda não estava satisfeita. Pegou mais xícaras e continuou arremessando contra ela.
O corpo inteiro de Giovana ficou coberto de hematomas e cortes, os cacos de cerâmica deixavam rastros de sangue.
O café escuro encharcou suas roupas, misturando-se ao vermelho do sangue que pingava no chão.
A dor era insuportável, mas ela só conseguia se encolher, protegendo a cabeça e o peito.
O escritório mergulhou em silêncio absoluto. Ninguém ousava se aproximar para intervir, todos observavam à distância Carolina descarregar sua fúria.
Logo, o tumulto chamou a atenção de Samuel, que saiu.
Ao ver a cena caótica e Giovana caída no chão, coberta de ferimentos, ele franziu as sobrancelhas.
— O que aconteceu?
Ao vê-lo, Carolina imediatamente assumiu uma expressão lastimável.
— Samuel, pedi para sua secretária me fazer um café. Estou menstruada, e ela colocou gelo só para me dar cólica. Minha barriga está doendo muito.
Ao ver os olhos dela marejados, o rosto de Samuel escureceu na hora.
— Você está comigo há quatro anos e não consegue fazer um café direito? Ou você tem algo contra a Carolina e fez isso de propósito?
Giovana levantou o rosto pálido, querendo explicar, mas ele não lhe deu chance de falar, chamando diretamente o assistente:
— Giovana violou as normas da empresa. Corte o salário deste mês e o bônus trimestral, divulgue o caso para toda a empresa e faça com que ela se desculpe publicamente na assembleia geral da semana que vem.
Depois disso, Samuel tirou o casaco, envolveu Carolina e saiu carregando-a no colo.