Capítulo 4
Giovana permaneceu a certa distância, ouvindo tudo em silêncio, sem dizer uma palavra.

Carolina se aproximou com um olhar presunçoso, olhando-a de cima a baixo com desdém.

— Você fez um bom trabalho organizando o evento, mas tem um pequeno problema. Não há carpete no salão, e meu vestido acabou sujando. Para compensar essa falha, você vai me ajudar a segurar a barra do meu vestido.

— Aguarde um instante. Ainda há carpetes, vou pedir que tragam e coloquem imediatamente. — Giovana manteve a cabeça baixa, a voz firme, um tom nem humilde nem arrogante.

Ao ver que ela ousou recusar, o rosto de Carolina escureceu na hora.

Por acaso, Samuel entrou nesse momento. Ao perceber que ela estava descontente, foi direto ao seu encontro.

— O que houve?

— Samuel, eu não quero sujar o meu vestido. Pedi para sua secretária segurar a barra, mas ela se recusou. Será que ela ainda guarda rancor pelo que aconteceu da última vez?

Diante da expressão magoada de Carolina, Samuel imediatamente a puxou para os braços, lançando um olhar frio para Giovana.

— Segurar o vestido é parte do seu trabalho. Você não é secretária há um dia ou dois, nem isso você consegue resolver?

Ao redor, os convidados começaram a cochichar, com comentários ácidos:

— Era só o que faltava, uma secretária fazendo cara feia para a Srta. Carolina. Não se enxerga!

— Cada um nasce com seu destino. Uma herdeira como ela nasceu para ser mimada. Pedir que você segure o vestido num evento desses já é um favor. Não seja ingrata.

Diante daqueles comentários sarcásticos, o olhar de Giovana se apagou ainda mais. Ela reprimiu todo o constrangimento, abaixou-se e ergueu a barra do vestido.

Carolina puxou Samuel de um lado para o outro pela festa, passeando sem rumo, claramente para atormentá-la.

A barra do vestido estava adornada com inúmeras pérolas. Depois de um tempo, os braços de Giovana já estavam dormentes e doloridos, mas ela só podia suportar.

Como se não bastasse, Carolina mandou trazer várias taças de vinho e fez sinal para que ela se aproximasse.

— Hoje não quero beber, mas meus amigos vieram me prestigiar, então não posso recusar. Beba isso por mim.

— Eu tenho alergia a álcool...

— Samuel, olha só ela!

Giovana mal começou a explicar, e Carolina já começou a resmungar.

Samuel sabia da alergia dela. Ainda assim, para agradar Carolina, acabou cedendo.

— Você não anda sempre com antialérgico? Tome e depois beba, não deve acontecer nada.

O tom dele não admitia recusa, e o coração de Giovana afundou completamente.

Seu rosto empalideceu ainda mais. Em silêncio, ela tirou o antialérgico e engoliu alguns comprimidos.

Logo, um grupo de pessoas se aproximou com taças para brindar. Ela ergueu a sua e começou a beber. Uma taça após a outra. Seu estômago revirava, a náusea era incontrolável.

A cabeça parecia pesada, confusa, desorientada, e sua visão começou a ficar turva.

Em meio à vertigem, Giovana ouviu o grito agudo de Carolina:

— Samuel! O colar que você me deu sumiu! Agora há pouco essa sua secretária chegou perto de mim, com certeza foi ela que roubou!

Diante daquela acusação infundada, Giovana recuperou um instante de lucidez.

— Sr. Samuel, não fui eu.

Samuel olhou para os olhos marejados de Carolina, depois para Giovana, completamente embriagada. Sua expressão se tornou mais séria.

— Estava cheio de gente agora há pouco, talvez você só tenha perdido. Vamos procurar primeiro?

Mas Carolina não cedeu. Sacudiu o braço dele com força.

— Quem mais poderia ser senão ela? Foi você que me deu esse colar, por isso estou tão desesperada! E você ainda quer protegê-la? Já que não quer revistá-la, então não precisa mais me procurar!

Dito isso, ela fez menção de sair furiosa. Mas Samuel rapidamente a segurou, chamando os seguranças com voz fria.

No instante seguinte, vários homens avançaram, jogando Giovana ao chão e rasgando suas roupas.

A mente dela ficou em branco. Ela se debateu desesperadamente, mas era impossível vencer a força bruta deles.

A camisa foi rasgada em tiras, sua saia despedaçada. Sua pele ficou marcada por arranhões roxos e avermelhados, manchada de sangue.

— Eu não fiz isso! Não fui eu! — Uma onda de humilhação sem fim a invadiu, fazendo-a chorar e gritar por ajuda.

No entanto, seus gritos só atraíram mais brutalidade.

Os seguranças agarraram sua roupa íntima, estavam prestes a arrancá-la. Samuel desviou o olhar, incapaz de assistir, prestes a intervir, quando alguns garçons se aproximaram.

— Encontramos! O colar caiu na escada!

Num instante, todos os olhares se voltaram para o deslumbrante colar de diamantes em suas mãos.

A tensão no rosto de Samuel se aliviou e ele fez um gesto para que os seguranças recuassem.

Em seguida, ele pegou o colar e, pessoalmente, colocou-o de volta no pescoço de Carolina.

— Já encontramos. Não fique brava, está bem? — Ele disse num tom suave.

Só então Carolina sorriu novamente. Olhando para Giovana, caída no chão em estado deplorável, ela se agarrou ao braço dele e voltou a fazer manha:

— Ainda bem que encontraram, senão eu ficaria arrasada por muito tempo. Mas a sua secretária sofreu tanto por causa disso, será que devo pedir desculpas?

De repente, todos os olhares recaíram sobre Giovana, com suas roupas rasgadas, completamente desgrenhada.

Diante daqueles olhares maliciosos, ela só conseguiu se encolher, abraçando-se com força. Em meio àquela dor e agonia infinita, ela ouviu a voz fria de Samuel:

— Não precisa se desculpar. Ela é só uma secretária. Não faz mal ela sofrer um pouco.
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