Acordei antes mesmo do sol nascer. A insônia tinha sido minha companheira a noite inteira, e ainda era difícil entender como eu tinha vindo parar ali, como tudo tinha acontecido rápido demais. Para não enlouquecer, resolvi transformar o turbilhão de pensamentos em algo prático, qualquer coisa que me desse a ilusão de controle, mesmo que mínima.
Levantei pé por pé, tentando não fazer barulho. A casa ainda dormia, silenciosa demais para alguém como eu, acostumada a apartamentos barulhentos onde sempre dava pra ouvir o cachorro do vizinho, um ônibus passando ou uma televisão ligada em algum lugar. Ali, o silêncio não era vazio, era denso, quase elegante demais para ser quebrado.
Na cozinha, encontrei Teresa já acordada, organizando o que eu imaginei serem preparativos para o café da manhã. Ela pareceu se surpreender ao me ver.
— Senhora Mila? — arqueou a sobrancelha, analisando-me com curiosidade contida.
— Me chama só de Mila, por favor — respondi, meio sem graça, passando a mão pelo