A UTI tinha aquele silêncio que não era paz. Era o silêncio de máquinas, de vigílias cansadas, de vidas que piscavam entre o “ainda estou aqui” e o “não sei se volto”.
Camille parou diante da porta. Por um segundo, achou que não seria capaz de entrar. Que suas pernas não obedeceriam. Que o coração, já tão machucado, desistiria ali mesmo.
— Você consegue. Melissa murmurou atrás dela, tocando seu ombro.
Camille inspirou uma única vez. Depois empurrou a porta.
A luz suave iluminava o rosto de Adam. Ele parecia… mais vivo. O tórax subia e descia num ritmo lento, mas mais firme do que no dia anterior. A sedação, visivelmente reduzida, deixava seus traços mais relaxados, quase vulneráveis.
Camille sentiu o chão tremer sob seus pés. Ela se aproximou como quem se aproxima de uma memória que ainda dói. Parou ao lado do leito, engoliu o choro que ameaçava e puxou discretamente uma cadeira.
Sentou-se.
Sem tocar.
Sem respirar direito.
Sem saber como existir naquele espaço onde tudo nela gritava p