Camille acordou como quem retorna de um mergulho profundo demais.
O grito ficou preso na garganta, mas o corpo inteiro reagiu, ela se sentou na cama num sobressalto, a respiração curta, o peito dolorido, as mãos tremendo. O quarto estava escuro, silencioso, seguro… mas nada disso alcançava o caos dentro dela.
O pesadelo ainda pulsava atrás dos olhos: Cordas. O cheiro de metal. A sombra de Delmont. E Adam. Sempre Adam. Chamando por ela. Sangrando por ela. Morrendo por ela.
Camille levou as mãos ao rosto, tentando afastar as imagens, mas quanto mais tentava, mais elas se agarravam a ela. A porta do quarto se abriu num movimento brusco.
— Camille? Melissa apareceu, o rosto preocupado, a voz baixa, mas firme. Ei… você está me ouvindo?
Camille piscou, desfocada, e só então percebeu que estava chorando.
— Mel…sussurrou, a voz quase inexistente. Eu não consigo… não consigo tirar ele da minha cabeça. Eu vi… eu o vi…
Melissa não deixou que ela terminasse. Sentou-se ao lado dela e a puxou para