Sabrina
O silêncio naquele apartamento em Londres não era apenas ausência de ruído, era uma presença física.
Ele respirava comigo.
Escorria pelas paredes manchadas de umidade, impregnava os estofados puídos e se acomodava sobre meus ombros como um manto de chumbo. O espaço parecia pequeno demais para conter o tamanho da minha descoberta.
A cafeteira sibilava, queimando o resto de um café que eu sequer lembrava de ter passado. O cheiro amargo se fundia ao mofo e ao frio cortante daquela rua