Narrado por Bruna
Acordo sobressaltada, com o som da aeromoça anunciando nossa chegada à Sicília pelo alto-falante da aeronave, meu coração ainda acelerado pela tensão da viagem. A incerteza de tudo o que me trouxe até aqui me envolve como um nevoeiro denso, dificultando até mesmo minha respiração. Desembarco e percebo, com um sobressalto, que não tenho bagagem alguma comigo. Um vazio quase simbólico, como se a própria vida tivesse me deixado sem nada, sem rumo.
Decido então seguir diretamente para a alfândega, um passo mecânico que me afasta da confusão de emoções que sinto. Ao chegar, a agente da alfândega me recebe com um olhar curioso, a voz implacável com seu forte sotaque italiano.
— What did you come to do in Italy? (O que veio fazer na Itália?)
A pergunta me atinge como um soco no estômago. O que eu vim fazer aqui? Nem eu sei. É tudo tão surreal, tão fora de controle. Sempre sonhei em escapar do morro, explorar o mundo, mas não dessa forma. Não com tanta dúvida, tanto medo, ta