Capítulo 9 – O Jogo do Predador

Kaleo

A maioria das pessoas prefere manter distância de lugares cheios de cheiro de ração, risadas de crianças e barulho de patas correndo. Eu, por outro lado, gosto de atravessar fronteiras que não foram feitas para mim. Hoje, a fronteira se chama ONG Terra & Vida.

O prédio é pequeno, pintado com cores alegres demais para meu gosto. Murais de mãos infantis enfeitam os muros, junto de frases otimistas como: “Cada vida importa”. Suspiro, quase rindo. Quanta ingenuidade. Cada vida importa? Para mim, não. Só algumas. Poucas.

Entro sem anunciar, porque portas não são obstáculos quando se tem um nome como o meu. A recepcionista gagueja qualquer saudação educada, e eu apenas a ignoro. Meus sapatos italianos fazem eco no piso gasto até que encontro o pátio.

Ali está ela.

Layla.

De joelhos no chão, segurando um cachorrinho manco, cercada por três crianças que a olham como se fosse a própria salvação. Ela sorri, e o mundo à volta parece se curvar para esse sorriso. Irrita-me. Desgasta meus ner
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