Layla
Os dias depois do galpão cheiraram a antisséptico e chuva. A cidade se moveu sozinha, como se precisasse provar que ninguém é imprescindível.
Na cobertura, eu aprendi a abrir e fechar curativos como quem decifra um idioma novo. A pele de Kaleo, cortada no abdômen, pedia paciência ele, como sempre, pedia controle.
— Não precisa olhar assim. — ele resmungou, apoiado na beira da cama — Já vi feridas piores.
— Não no meu homem. — respondi, cortando a fita do curativo — Fica quieto.
— Eu não sei ficar quieto.
— Aprende.
Ele deu meio sorriso e obedeceu. Eu limpei a ferida com cuidado, sentindo os pelos do braço dele eriçando quando a gaze encostava. Na janela, a tarde era com nuvens de algodão. Por dentro, alguma coisa minha alargava espaço.
— Dói? — perguntei baixo.
— Você tem ideia do que é sentir o seu toque doer? — Ele fechou os olhos, um suspiro que perdeu a arrogância no meio do caminho — É bom. E é tortura.
— É cicatrização. — corrigi — Significa que já passou.
— Nada passa em