Helena estava sentada no sofá da casa de Laura, com as pernas dobradas sob o corpo e uma xícara de chá quente entre as mãos. O apartamento da amiga sempre lhe trouxe uma sensação de conforto — talvez pela bagunça organizada, pelas plantas espalhadas perto da janela ou pelo cheiro constante de algo doce, como se ali sempre houvesse um bolo prestes a sair do forno.
Laura tinha tirado alguns dias de folga do trabalho, e aquilo por si só já tornava o momento especial. Não havia pressa, nem relógios sendo checados a cada cinco minutos. Era só o tempo das duas, como nos velhos tempos.
— Você está diferente — Laura comentou, sentando-se à frente dela, no tapete. — Mais silenciosa. E olha que isso vindo de mim é grave.
Helena sorriu de leve, mas o sorriso não chegou aos olhos.
— Eu estou… cansada — respondeu, depois de alguns segundos. — Cansada de pensar demais, de sentir demais.
Laura arqueou a sobrancelha, já prevendo que vinha coisa grande.
— É o Arthur não é? Então fala. Hoje eu sou só o