Serafina estava furiosa por dentro. É claro que sabia exatamente o que Marília estava fazendo ali.
Hoje, Leandro faria uma cirurgia no hospital e, justamente hoje, Marília aparecera, e o pior, no mesmo andar. Não havia dúvida, ela viera atrás dele.
Só de pensar nisso, o desprezo que Serafina sentia por Marília atingia o auge. Sem se conter, ela disparou:
— Você não tem um pingo de vergonha na cara?
Marília curvou os lábios num leve sorriso. O rosto radiante estava coberto por um sarcasmo gelado.
— Todos os médicos deste hospital têm esse tipo de postura?
Naquele andar, além da ala de cirurgia cardíaca, havia outras salas cirúrgicas, e muitos familiares aguardavam na área de descanso. Falar alto era proibido no hospital.
A voz de Serafina já chamava a atenção ao redor.
A enfermeira da recepção correu para alertá-la:
— Dra. Serafina, por favor, cuidado com a sua postura...
Mas Serafina não deu ouvidos.
— Eu tenho postura com quem merece! — Respondeu ela, com a voz aguda e carregada de de