O copo de whisky estilhaçou contra a parede com um estrondo que ecoou pelo apartamento silencioso. Os cacos escorriam pelo chão como os pedaços da sanidade de João, espalhados, sem volta. O líquido dourado escorria pela pintura branca da parede, criando um rastro sujo, disforme — a imagem perfeita daquilo que ele sentia por dentro: devastação.
João andava de um lado para o outro na sala, a respiração pesada, o peito arfando como um animal ferido. Suas mãos trêmulas apertavam os cabelos grisalho