Capítulo 97 — A armadilha na penumbra
(Ponto de vista: Narrador)
A noite havia caído sobre Montevidéu como um manto pesado. Em uma esquina afastada, um prédio sem placa fervilhava de murmúrios, fumaça e risadas falsas. O cassino clandestino vibrava com o tilintar das fichas e o cheiro de álcool barato. Ninguém suspeitava que a polícia o cercava silenciosamente, como uma matilha esperando o momento exato para atacar.
Na sala de operações, os agentes mantinham os olhos presos às câmeras ocultas que haviam instalado dias antes. Entre eles, um policial já estava lá dentro: um jovem infiltrado que se passava por cliente habitual. Sua missão era arriscada: ganhar a confiança de Valeria Montesino, tirá-la dali e fazer com que os chefes caíssem com ela também.
Valeria havia aprendido a sobreviver naquele inferno com sorrisos falsos, copos servidos e encontros forçados. O dono a chamava ao escritório para “cobrar a dívida”, mas só a usava. Os chefes — homens cruéis — haviam transformado seu co