Capítulo 96 — Beijos em meio à dor
(Ponto de vista: Lili)
O quarto privativo parecia um refúgio, embora cada movimento do meu corpo fosse um lembrete da batalha que eu ainda travava. O fêmur ardia como fogo, a clavícula latejava e a cabeça trazia aquela estranha sensação de fragilidade. Mesmo assim, minha mente não conseguia se afastar do que Guillermo havia me contado na primeira vez em que acordei na UTI: que tinha me pedido em casamento e que eu, entre tubos e sonhos, havia mexido o dedo em resposta.
Olhei para ele, sorrindo de leve apesar da dor.
— Você me pediu em casamento e nem sequer tivemos um namoro decente… nem um beijo de verdade, Guillermo.
Ele manteve o olhar fixo em mim, com aquelas rugas bonitas que pareciam contar a história de cada noite sem dormir. Então inclinou a cabeça, aproximando-se. Senti seus lábios nos meus, primeiro com cuidado, depois com a urgência contida de anos de silêncio. Quis tocar seu rosto, mas a mão saudável estava presa ao soro com antibióticos,