Capítulo 16 – O que eu não quis ver
O celular marcava 7h50 da manhã.
Adrián segurava-o com as duas mãos como se fosse um objeto sagrado. Atrás dele, o som da água fervendo para o chá de seu pai parecia zombar de sua ansiedade. Ele estava na cozinha da casa da família, com a camisa ainda amarrotada, sem barbear, com os olhos vermelhos por não ter dormido nada.
Ele discou o número da mãe.
Isabel atendeu ao segundo toque.
—Mãe? Você conseguiu falar com ela? Você a convenceu?
O silêncio que se seguiu foi mais eloquente do que mil palavras.
—Adrián Castell... você é idiota ou está fingindo?
—Mãe...
—Não, não me chame de “mãe”! Onde você está agora?
—Aqui... com o papai. Acabei de dar os remédios para o coração a ele. Passei a noite toda no meu quarto, ao lado do dele. Juro que não saí de casa.
—Então me explique isso —ela disparou, com a voz inflamada—. Por que a bruxa da sua ex, sua protegida, sua santa Valéria... acabou de enviar fotos do seu apartamento de solteiro para sua es