Mundo de ficçãoIniciar sessãoOs dias na fortaleza das raposas passaram devagar. Acordei com o sol entrando pelas janelas altas. A luz quente tocava meu rosto e braços. A cama era macia, os lençóis escuros cheiravam a lavanda fresca. Meu corpo não doía mais como antes. Levantei e fui até o banheiro. A água quente do chuveiro escorreu pela pele, relaxando os músculos das costas e pernas. Saí enrolada em uma toalha macia.
Logan mandou roupas finas. Calça preta justa, blusa cinza clara de tecido suave que deslizava na pele. Calcei botas leves. Quando abri a porta do quarto, um guarda me acompanhou até a sala principal. O cheiro de comida quente encheu minhas narinas: carne assada, pão fresco e ervas. Meu estômago roncou alto. Logan estava sentado à mesa longa de madeira polida. Cabelos soltos sobre os ombros, camisa aberta no peito mostrando músculos definidos. As nove caudas douradas descansavam atrás dele, movendo-se levemente. Ele sorriu ao me ver. Os olhos verdes brilharam. — Sente-se. Coma. — A voz dele era calma e grave. Puxou a cadeira ao lado dele. Sentei. O assento era quente. Ele serviu carne no meu prato. O cheiro subiu direto para meu nariz. Cortei um pedaço. O sabor salgado e suculento encheu minha boca. Mastiguei devagar. O calor da comida desceu pela garganta e aqueceu o estômago. Ele falava enquanto comíamos. Contava sobre o poder das nove caudas. — Cada cauda representa um século de força acumulada. Elas me dão velocidade, cura rápida e controle sobre energia. — Enquanto falava, uma cauda se moveu e roçou de leve no meu braço. Senti um calor elétrico passar pela pele. Arrepios subiram até o ombro. Meu corpo reagiu, relaxando contra a vontade. Ele segurava minha mão às vezes. Os dedos dele eram quentes e firmes. Cada toque enviava ondas de formigamento pela palma e pulso. Tentei puxar a mão na primeira vez. Ele não soltou. — Não precisa ter medo de mim — disse baixo, perto do meu ouvido. A respiração dele aqueceu minha orelha. Meu corpo relaxava perto dele. Os músculos das costas soltavam. A respiração ficava mais lenta. Sentava em uma poltrona grande na biblioteca enquanto ele explicava a história das matilhas. A voz grave dele preenchia o espaço. Eu ouvia, mas minha mente voltava para Roberto. Lembrava dos olhos amarelos queimando de raiva. Do corpo musculoso me prendendo contra a parede. Do corte que fiz no braço dele. A raiva ainda queimava no peito. Um ódio quente que não passava. Mas também sentia falta da tensão. Daquela sensação de perigo constante. Aqui tudo era calmo demais. Seguro demais. À tarde, Logan me levou para um jardim interno. Plantas altas, flores vermelhas, um pequeno lago com água cristalina. O ar era úmido e fresco. Sentamos em um banco de pedra. Ele colocou a mão na minha coxa. A palma quente atravessou o tecido da calça. Senti o calor subir pela perna. Meu coração acelerou. Tentei resistir. Afastei a mão dele. — Não. — Minha voz saiu baixa, mas firme. A garganta apertada. Ele riu suave. Não insistiu. Em vez disso, contou sobre querer uma parceira forte. — Uma mulher que aguente o peso do poder. Você lutou ao lado dos lobos. Vi sua coragem. Roberto não merece isso. — As palavras fizeram meu estômago revirar. Parte de mim concordava com a raiva. Outra parte sentia culpa estranha. A noite era o pior momento. Deitava na cama grande. O quarto escuro, só a luz fraca de uma lanterna. O corpo cansado, mas a mente agitada. Quando conseguia dormir, sonhava com Roberto. Sonhava com os olhos amarelos fixos nos meus. Com as mãos grandes apertando meus braços. Acordava suada. O peito apertado, respiração rápida. O suor escorria entre os seios e pelas costas. Tocava o próprio pulso. O coração batia forte. Sentia falta da disputa. Da provocação. Do ódio que fazia tudo parecer vivo. Logan percebia minha inquietação. Entrava no quarto às vezes à noite. Sentava na beira da cama. A mão grande acariciava meu cabelo. Os dedos passavam devagar pelo couro cabeludo. Relaxava apesar de tudo. — Eu posso te dar paz — sussurrava. As nove caudas envolviam levemente a cama. O calor delas aquecia o ar ao redor. Meu corpo traía a mente. Relaxava sob o toque. A pele formigava. Mas quando ele saía, o vazio voltava. Ficava olhando o teto de madeira. Os dedos apertavam o lençol. Raiva de Roberto. Desejo confuso por Logan. Medo do que viria. O peito doía de tanta confusão.






