Ethan
Saí do apartamento da Diana com a garganta entupida de silêncio. Não forcei mais palavras — não porque faltassem, mas porque já não acreditava que explicação alguma, por mais fervorosa, pudesse desfazer o estrago. Quando a porta dela bateu atrás de mim, ouvi o som como um martelo num prego; não fui forte o bastante para evitar que ela me fechasse. Desci as escadas do prédio como quem desce uma nota final que não volta atrás: com passos rápidos e a cabeça cheia de coisas que eu não sabia traduzir em voz.
Pulei no carro e dirigi sem pensar direito na rota. A cidade passou por mim em manchas de luz e sombra. Eu sabia que precisava ir — precisava fazer algo maior do que desculpas — e sabia também por que não insisti em falar com ela. Era simples e ao mesmo tempo cruelmente honesto: eu não merecia o perdão dela. Não depois de tudo que a expusera, de tudo que lhe pedira para suportar. E, mais que isso, eu percebi ali, naquela linha tênue entre a porta do apartamento e o meu carro, que