Maya Nogueira
A luz do início da tarde que entrava pelas janelas do corredor parecia artificial, crua, como se o sol estivesse tentando zombar da nossa agonia. Quando as portas duplas do centro cirúrgico finalmente se abriram, o tempo não apenas parou; ele se condensou em um único ponto de dor. O cirurgião chefe, um homem que eu conhecia por sua imperturbabilidade, emergiu com a máscara pendurada no pescoço. Seus olhos estavam fundos, injetados de sangue, e o suor seco na sua testa contava a h