Maya Nogueira
A mala aberta na cama parecia um portal para um universo que eu, até então, apenas visitara em sonhos ou em momentos de devaneio durante turnos exaustivos.
Eu nunca tinha, de fato, vivido a minha vida. Meus dias sempre foram uma sucessão de obrigações: a vigilância constante sobre a saúde da minha mãe, a ansiedade crônica pela escassez financeira e a humilhação silenciosa de tentar ser a mulher que Eduardo exigia — aquela que estava sempre disponível, sempre impecável, sempre