Maya Nogueira
O espelho do toalhete parecia um juiz implacável. Analisei meu reflexo, ajustando a alça do vestido azul-meia-noite, tentando encontrar naquelas íris a mulher que, minutos antes, havia se entregado a um beijo que deveria ser apenas um ato performático, mas que, na realidade, tinha drenado todo o oxigênio dos meus pulmões.
O rubor em minhas bochechas não era de vergonha pela farsa, mas da embriaguez causada por Arthur Strauss. E isso era, de longe, o problema mais perigoso que eu