Arthur Strauss
A escuridão não era um vazio; era uma substância pesada, um pântano onde eu tentava mover meus membros sem sucesso.
Por dias — ou seriam décadas? — a minha consciência tinha sido apenas um fragmento flutuando na periferia de um pesadelo. O cheiro de álcool antisséptico, o ritmo monótono dos bips, a pressão do ar nos meus pulmões por meio de tubos... tudo isso era o cenário de uma autópsia viva.
Eu estava morto? Se estivesse, o inferno tinha um gosto metálico muito específi