Alexandra:
Depois que saí da casa do Jefferson, estava animada e cheia de esperança. Fui direto para o apartamento dos meus tios, na zona sul. Eu tinha levado a maioria das minhas coisas para lá.
Meus tios estão viajando em um congresso em Londres. Eles são cirurgiões plásticos, daqueles que as madames sempre procuram. O mais engraçado é que os dois se conheceram em um desses congressos e se apaixonaram perdidamente, e estão juntos há cinco anos.
Tio Lucas é irmão mais novo do meu pai. Josué é francês. Os dois são lindos.
Não contei para eles o que aconteceu, só falei que iria trazer minhas coisas para o apartamento deles porque preciso fazer uma viagem. Meus tios acham que vou viajar com meu filho e até me ofereceram dinheiro, que recusei.
Assim que estava voltando para casa, encontrei Jefferson com uma moto me esperando em frente ao condomínio. Uma dessas muito caras que nem sei o nome. Ele tinha dois capacetes nas mãos.
— Ora, ora, se não é minha louca favorita. — ele fala me dando seu sorriso galanteador.
— Oi, Jefferson! — falo sorrindo, colocando meu cabelo atrás da orelha.
— Vamos dar uma volta, gata. — ele fala me entregando o capacete.
Subi na sua garupa enquanto sua moto voava pelas ruas da Paulista em meio ao monte de carros que circulam diariamente. Num piscar de olhos, estávamos em um belo barzinho na zona norte.
Ficamos conversando e bebendo cerveja até que Jefferson se vira para mim e diz:
— O que eu faço para fazer você desistir de sua missão suicida?
Eu dou um sorriso amarelo, tentando arrumar meus cabelos, que por causa do capacete ficaram bastante armados, e falo:
— Jefferson, você tem filhos? — pergunto séria.
— Não. — ele responde me olhando.
— Então você não vai entender o meu desespero, por mais que eu explique. — falo bebendo um gole da minha cerveja.
— Jefferson, eu gostaria de ter conhecido você antes. Me sinto muito bem com você, mas não posso desistir do meu filho, nem que isto me leve à morte. Você me entende? — falo segurando suas mãos.
— Sim, gata, eu entendo. — ele fala me puxando para um beijo.
— Agora que tal uma despedida na minha humilde residência? — ele fala dando seu sorriso sedutor.
— Mas não posso ficar muito tempo, eu vou viajar de madrugada. — falo sorrindo.
Se vai ser o último encontro, quero aproveitar ao máximo. Jefferson é muito gostoso. Embora eu não esteja apaixonada por ele, me sinto muito atraída.
Pelo menos foi intenso e ele gemia dizendo:
— Não vai embora, eu te amo, fica comigo.
Ele repete esta frase várias vezes até desabar cansado, agarrado ao meu corpo.
Ficamos ali abraçados até ele pegar no sono.
Me levanto silenciosamente, me visto, pego minha bolsa e volto para o apartamento dos meus tios.
Já passava das dez da noite quando peguei um Uber para o aeroporto de Guarulhos.
No meu celular, várias ligações do Jefferson e um monte de mensagens no W******p. Preferi ignorar tudo.
Primeiro porque não estou interessada em namorados. Segundo, ninguém vai me desviar de resgatar meu filho.
Ficar com ele foi bom, me fez sentir mulher novamente, só que a cicatriz que Alberto deixou está muito recente.
Lembrar dos momentos que vivemos juntos ainda faz meu coração doer e das muitas vezes que ele falou que me amava.
A dor que senti quando ele mandou que eu matasse nosso filho me faz chorar o tempo todo.
Não foi um caso de uma noite, foi um grande amor, e jamais mataria este fruto.
Seco minhas lágrimas quando o carro para em frente ao aeroporto.
Sigo para despachar a mala, mesmo sendo ainda muito cedo.
Sento no banco e fico apenas observando as pessoas passarem apressadas.
Sempre me emociono quando vejo uma mãe com seu bebê no colo. Fico imaginando como meu filho está sem mamar.
Meus peitos estão estourando com tanto leite. Vou até o banheiro para esvaziar um pouco.
Pego a bombinha e começo a tirar o leite.
Uma mulher vê a cena e pergunta:
— Por que está jogando fora seu leite? Cadê seu bebê?
Respiro fundo pensando na melhor mentira e falo:
— Ele está com o pai na Rússia. Vim visitar uma tia doente e vou voltar para encontrar eles. — falo fingindo um sorriso.
— Que bom que vai encontrar logo seu bebê, ele deve estar sentindo sua falta. — a mulher fala saindo do banheiro.
E eu penso: que puta intrometida.
Saio do banheiro um pouco irritada, xingando baixo.
Voltei para a entrada de embarque e fiquei pensando se eu pudesse levar uma arma.
Saio dos meus pensamentos com meu voo sendo anunciado.
Me dirijo para a entrada e o avião é gigante. Fiquei admirada.
Eu já tinha viajado de avião, mas não para fora do país, e agora eu iria ficar vinte e duas horas dentro desse avião.
Não iria ser fácil.
Só espero que São Petersburgo seja um lugar fácil de se locomover.
Eu sei que vai ser difícil achar este mafioso e mais difícil ainda tirar meu filho das suas mãos.
Só que eu sou uma mãe e não desisto nunca do meu filho.
Coloco o cinto de segurança e os fones de ouvido porque a viagem vai ser longa e cansativa.
Só espero que as pessoas de lá falem inglês, porque meu russo de dez aulas online não está muito bom.
Acho que vou aproveitar este tempo para fazer umas aulas de russo e também estudar o lugar.
Provavelmente este homem mora no bairro mais rico da cidade.
Segundo a internet, São Petersburgo é uma cidade muito bonita que tem um lindo mar.
Acho que ninguém vai à praia devido ao frio. Pelo que ouvi falar, a Rússia faz frio o ano inteiro.
Ainda bem que peguei o casaco de lã bem grosso do meu tio emprestado, só espero que ele não se importe.
Fecho os olhos para tirar uma soneca, só que aquele homem que roubou meu filho apareceu nos meus sonhos atirando no meu peito.
Acordo assustada com o pesadelo e percebo que ainda estou no avião.
Esta viagem vai ser muito estressante, eu penso.
Mundo de ficção