Damiano Leone
As horas se fundiram. A luz do dia deu lugar à escuridão da noite e depois à luz cinzenta de outro amanhecer. O ar estava pesado com o cheiro de sangue, suor e morte. Ele estava irreconhecível, um amontoado de carne ensanguentada e ossos quebrados, ofegando em um ritmo irregular. A fúria que me consumia começou a diminuir, não por cansaço, mas por conclusão. A conta estava sendo paga. O monstro estava, finalmente, saciado.
Ele me olhou, ou pelo menos tentou. Um dos olhos estava inchado e fechado. O outro me encarou com um último lampejo de consciência. Não havia mais medo, nem súplica. Somente um vazio, uma aceitação do fim. E talvez, apenas talvez, um fragmento de arrependimento. Um piscar de olhos que parecia dizer “obrigado”.
A ira final se foi. O que restou foi uma profunda, abissal e cansativa tristeza. A tristeza por Fabrizia, por mim, por termos sido arrastados para esse abismo. Até por ele, por escolher um caminho que só podia terminar em um lugar tão horrível e