POV KAEL
O espelho diante de mim parecia zombar da minha existência.
Olhei para o próprio reflexo e não me reconheci.
Os olhos, outrora de um âmbar vivo, agora ardiam em tons metálicos, como se houvesse fogo derretendo sob a íris. A pele pálida, marcada por olheiras fundas, denunciava o que eu tentava esconder até de mim mesmo: estava me desfazendo.
O quarto da mansão Vescari era silencioso demais.
O tipo de silêncio que não traz paz — traz lembranças.
E as minhas vinham em ondas: Aurora.