Em meio à tontura, o corpo de Jaqueline despencou escada abaixo.
Uma dor intensa tomou conta de todo o seu corpo.
Um líquido quente escorreu pela sua testa, deixando sua visão cada vez mais turva.
No topo da escada, Arthur e Helena observavam a cena com sorrisos cruéis.
Helena bateu palmas.
— Bem feito!
Arthur fez uma careta.
— Quem mandou você não deixar a gente comer o bolo?
Jaqueline tentou se levantar com dificuldade.
O sangue escorria pelo queixo e pingava no chão.
Ela olhou para aquelas duas crianças diante dela.
Era impossível relacionar aquelas duas pequenas figuras cruéis aos filhos que ela havia dado à luz na sala de parto, lutando contra a dor e colocando a própria vida em risco.
De repente, a porta da frente se abriu.
— O que aconteceu?
A voz grave de Francisco ecoou pela casa.
Ele entrou acompanhado de Marina.
Ao verem aquela cena, os três ficaram parados por alguns segundos, surpresos.
As duas crianças mudaram de expressão imediatamente.
Começaram a chorar e correram até Francisco.
— Papai! A mamãe jogou o bolo fora e não deixou a gente comer! Ela também disse que não queria mais a gente!
O olhar de Francisco caiu sobre o bolo dentro da lixeira.
Depois, voltou para Jaqueline, que estava coberta de sangue.
Suas sobrancelhas se franziram, e a voz dele ficou fria:
— Por que você insiste em maltratar duas crianças? Dizer esse tipo de coisa para eles... você realmente acha que merece ser chamada de mãe?
Jaqueline se apoiou na parede e se levantou devagar.
O sangue manchava sua gola.
Ela olhou para Francisco e, de repente, sorriu.
Sua voz saiu rouca:
— Aos seus olhos, quando eu já fui digna disso? Você nunca me viu como nada além de alguém que servia para dar seus filhos à luz, não é?
As pupilas de Francisco se contraíram levemente.
Jaqueline limpou o sangue do rosto.
— Você quer que Marina seja sua esposa. E seus filhos também só querem ela como mãe. Então eu vou embora. Vou deixar vocês três terem exatamente o que querem.
O ambiente ficou completamente silencioso.
A expressão de Francisco escureceu.
Ele encarou Jaqueline como se fosse a primeira vez que realmente a enxergava.
Sua voz era baixa e fria:
— Não se esqueça de que, naquela época, o casamento entre nossas famílias era apenas uma aliança de interesses. Nós nunca tivemos sentimentos um pelo outro. Você queria que eu amasse você? Desculpe, mas eu não consigo.
Ao ouvir aquilo, Jaqueline começou a rir.
Mas, enquanto ria, as lágrimas começaram a cair pelo seu rosto.
Era verdade.
Ele estava certo.
A culpa era dela.
Ela tinha sido ingênua demais.
Como ela pôde acreditar que um dia conseguiria conquistar o coração de Francisco?
Marina segurou o braço de Francisco.
— Não diga mais nada... As crianças estão assustadas. Vamos levar elas para cima primeiro.
Francisco olhou para Jaqueline.
No fim, virou as costas.
Pegou uma criança em cada braço e saiu acompanhado de Marina.
Jaqueline ficou olhando para as costas dos três enquanto eles se afastavam.
O sangue continuava pingando.
Naquele momento, ela se arrependeu profundamente de ter se casado com Francisco e de ter dado à luz aqueles dois filhos.
Nesta vida, ela nunca mais repetiria o mesmo caminho.
A partir daquele dia, viveria apenas por si mesma.
......
Três dias depois, chegou o aniversário de Arthur.
A festa foi realizada no hotel mais luxuoso do centro da cidade.
Os lustres de cristal refletiam uma luz deslumbrante.
Uma torre de taças de champanhe ocupava o centro do salão.
Assim como na vida passada, Francisco reservou todo o andar do hotel para organizar uma grande festa de aniversário para Arthur.
Jaqueline estava parada em um canto.
Observava Arthur e Helena segurando uma das mãos de Marina cada um, felizes ao lado dela.
Durante toda a festa, as duas crianças permaneceram grudadas em Marina e ignoraram Jaqueline de propósito.
Francisco estava parado não muito longe dali.
Segurava uma taça de champanhe enquanto mantinha os olhos fixos em Marina.
Seu olhar estava cheio de carinho.
— Francisco realmente é um homem apaixonado. Depois de tantos anos, os olhos dele continuam voltados apenas para Marina.
— É verdade. Até as crianças são iguais a ele. Para elas, só existe Marina.