Capítulo 7
As conversas dos convidados chegaram claramente aos ouvidos de Jaqueline.

— Eu estudei na universidade com Francisco e Marina. Naquela época, os dois se amavam de verdade.

Um homem de terno abaixou a voz.

— Antes mesmo de se formarem, Francisco já planejava pedir Marina em casamento.

A pessoa ao lado também entendeu.

— O primeiro amor é assim. É impossível esquecer. Mesmo sem o título de esposa, continua sendo a pessoa mais importante.

Alguém lançou um olhar de desprezo para Jaqueline.

— Algumas pessoas realmente acham que conseguiram tudo só porque se casaram com ele. E daí que tiveram filhos? No fim, ainda não conseguiram conquistar o coração do próprio marido. Acho que ela está destinada a passar a vida inteira sozinha.

Jaqueline ouviu tudo em silêncio.

Seu coração parecia coberto por uma espessa camada de gelo.

Mas, dessa vez, não sentiu mais dor.

Ela respirou fundo e se virou em direção ao elevador.

No instante em que as portas estavam prestes a se fechar, uma mão apareceu de repente entre elas.

Marina entrou usando salto alto, com uma postura elegante e um leve sorriso nos lábios.

Ela encarou Jaqueline diretamente.

— O divórcio será oficialmente concluído daqui a três dias. Você vai cumprir o combinado e ir embora, não vai?

Jaqueline apertou o botão do primeiro andar.

— Claro. Espero poder sair daqui o mais rápido possível.

Marina finalmente mostrou um sorriso satisfeito.

— Fique tranquila. Eu vou cuidar bem dessa casa no seu lugar. Afinal, Francisco e as crianças não gostam de você. Com o tempo, eles vão esquecer que você um dia existiu.

O elevador começou a descer lentamente.

Jaqueline não respondeu.

De repente, um estrondo ensurdecedor ecoou.

O elevador tremeu violentamente e todas as luzes se apagaram.

Marina gritou.

Desesperada, pegou o celular.

— Ah! Francisco! Socorro! O elevador quebrou!

Jaqueline bateu com força contra a parede.

Uma dor intensa atingiu sua testa, e o sangue quente escorreu pelo seu rosto.

Não se sabia quanto tempo havia passado quando sons de passos apressados começaram a surgir do lado de fora.

A voz dos socorristas veio através da porta do elevador.

— As pessoas lá dentro estão bem?

Marina bateu na porta.

— Salvem a gente! Minha perna está presa!

O som de metal sendo forçado começou a ecoar.

Então, uma luz forte atravessou a abertura.

Um socorrista olhou para dentro.

Sua expressão ficou séria.

— Sr. Francisco, as pernas das duas senhoras ficaram presas pela porta deformada. A situação é urgente. No momento, só conseguimos retirar uma delas primeiro. Quem o senhor quer que seja salva antes?

Com a visão já ficando turva, Jaqueline viu Francisco parado atrás dos socorristas, acompanhado de Arthur e Helena.

O olhar dele caiu sobre Marina.

Sem hesitar, respondeu:

— Salvem Marina.

Arthur e Helena seguraram a manga do socorrista enquanto choravam.

— Salvem Marina primeiro! Rápido!

O socorrista franziu a testa.

— Sr. Francisco, a outra senhora parece estar mais gravemente ferida. Nossa recomendação é retirar ela primeiro.

Francisco respondeu friamente:

— Eu já disse. Salvem Marina primeiro.

O socorrista suspirou.

Sem outra escolha, estendeu a mão para retirar Marina.

Jaqueline observou enquanto eles tiravam Marina dali com todo cuidado.

Ao mesmo tempo, a porta deformada do elevador, que já tinha perdido parte do apoio, começou a emitir sons assustadores.

— Bang!

A estrutura de metal deformada caiu com força sobre a perna de Jaqueline.

Uma dor profunda e insuportável se espalhou instantaneamente por todo o corpo.

A última coisa que ela viu foi Francisco carregando Marina para longe.

Os dois filhos comemoravam felizes ao lado dele.

Então, Jaqueline perdeu a consciência.

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