As conversas dos convidados chegaram claramente aos ouvidos de Jaqueline.
— Eu estudei na universidade com Francisco e Marina. Naquela época, os dois se amavam de verdade.
Um homem de terno abaixou a voz.
— Antes mesmo de se formarem, Francisco já planejava pedir Marina em casamento.
A pessoa ao lado também entendeu.
— O primeiro amor é assim. É impossível esquecer. Mesmo sem o título de esposa, continua sendo a pessoa mais importante.
Alguém lançou um olhar de desprezo para Jaqueline.
— Algumas pessoas realmente acham que conseguiram tudo só porque se casaram com ele. E daí que tiveram filhos? No fim, ainda não conseguiram conquistar o coração do próprio marido. Acho que ela está destinada a passar a vida inteira sozinha.
Jaqueline ouviu tudo em silêncio.
Seu coração parecia coberto por uma espessa camada de gelo.
Mas, dessa vez, não sentiu mais dor.
Ela respirou fundo e se virou em direção ao elevador.
No instante em que as portas estavam prestes a se fechar, uma mão apareceu de repente entre elas.
Marina entrou usando salto alto, com uma postura elegante e um leve sorriso nos lábios.
Ela encarou Jaqueline diretamente.
— O divórcio será oficialmente concluído daqui a três dias. Você vai cumprir o combinado e ir embora, não vai?
Jaqueline apertou o botão do primeiro andar.
— Claro. Espero poder sair daqui o mais rápido possível.
Marina finalmente mostrou um sorriso satisfeito.
— Fique tranquila. Eu vou cuidar bem dessa casa no seu lugar. Afinal, Francisco e as crianças não gostam de você. Com o tempo, eles vão esquecer que você um dia existiu.
O elevador começou a descer lentamente.
Jaqueline não respondeu.
De repente, um estrondo ensurdecedor ecoou.
O elevador tremeu violentamente e todas as luzes se apagaram.
Marina gritou.
Desesperada, pegou o celular.
— Ah! Francisco! Socorro! O elevador quebrou!
Jaqueline bateu com força contra a parede.
Uma dor intensa atingiu sua testa, e o sangue quente escorreu pelo seu rosto.
Não se sabia quanto tempo havia passado quando sons de passos apressados começaram a surgir do lado de fora.
A voz dos socorristas veio através da porta do elevador.
— As pessoas lá dentro estão bem?
Marina bateu na porta.
— Salvem a gente! Minha perna está presa!
O som de metal sendo forçado começou a ecoar.
Então, uma luz forte atravessou a abertura.
Um socorrista olhou para dentro.
Sua expressão ficou séria.
— Sr. Francisco, as pernas das duas senhoras ficaram presas pela porta deformada. A situação é urgente. No momento, só conseguimos retirar uma delas primeiro. Quem o senhor quer que seja salva antes?
Com a visão já ficando turva, Jaqueline viu Francisco parado atrás dos socorristas, acompanhado de Arthur e Helena.
O olhar dele caiu sobre Marina.
Sem hesitar, respondeu:
— Salvem Marina.
Arthur e Helena seguraram a manga do socorrista enquanto choravam.
— Salvem Marina primeiro! Rápido!
O socorrista franziu a testa.
— Sr. Francisco, a outra senhora parece estar mais gravemente ferida. Nossa recomendação é retirar ela primeiro.
Francisco respondeu friamente:
— Eu já disse. Salvem Marina primeiro.
O socorrista suspirou.
Sem outra escolha, estendeu a mão para retirar Marina.
Jaqueline observou enquanto eles tiravam Marina dali com todo cuidado.
Ao mesmo tempo, a porta deformada do elevador, que já tinha perdido parte do apoio, começou a emitir sons assustadores.
— Bang!
A estrutura de metal deformada caiu com força sobre a perna de Jaqueline.
Uma dor profunda e insuportável se espalhou instantaneamente por todo o corpo.
A última coisa que ela viu foi Francisco carregando Marina para longe.
Os dois filhos comemoravam felizes ao lado dele.
Então, Jaqueline perdeu a consciência.