O Limite do Controle
Já sem paciência com as investidas de Helena — e um pouco alta pelos drinks da noite —, Letícia murmurou quase para si mesma, num cochicho que não fazia esforço algum para não ser ouvido:
Bem que dizem que, quando o diabo não vem, manda seus funcionários.
— O que você disse? — questionou Helena.
— Nada, querida — respondeu Letícia, já se levantando. — Vou indo.
Fez um gesto de despedida e completou, com um sorriso venenoso demais para ser cordial:
— É sempre um prazer te rever — disse, ironicamente.
Ignorando a despedida, Helena continuou, a voz carregada de desprezo:
— Você não mudou nada, né, Letícia? O tempo passa e você continua usando os mesmos métodos. Mal chegou e já vai abrir as pernas pro chefe?
André tentou puxá-la pelo braço com delicadeza — um gesto silencioso, firme, como quem diz basta.
Letícia sorriu, tão aberta que quase virou gargalhada.
— Engraçado você falar em métodos… — inclinou levemente a cabeça. — Porque, se eu continuo usando os mesmos com