Antes mesmo que o grito escapasse, Letícia se deu conta de quem a puxava.
Ela lembrava de cada detalhe daquele rosto mais do que gostaria. O rosto anguloso, de traços firmes, parecia esculpido com paciência — maxilar definido, lábios bem desenhados. A pele clara refletia a luz de um jeito quase quente, em contraste com o olhar profundo. Os cabelos loiros, penteados com precisão excessiva, lhe davam um ar ainda mais sério… e perigoso.
André.
— Você só pode estar louca, não é, Letícia? — disparou, a voz áspera, sem esconder a fúria.
— Me solta, você tá me machucando — exigiu ela, tentando puxar o braço de volta.
Ele ignorou. Segurou-a agora pelos dois braços, juntando-os à frente do corpo. O gesto foi brusco, controlador — uma aproximação íntima demais, próxima demais, muito além do que Letícia estava disposta a tolerar.
Ela sentiu o peito se fechar.
— Não encosta em mim — disse, firme, os olhos cravados nos dele.
André riu sem humor, o rosto a centímetros do dela.
— E você quer que qu