Quando Pedro abriu a porta, Letícia já estava com o dedo no botão do elevador, o corpo rígido, o olhar fixo em um ponto qualquer.
— Letícia, espera — ele disse, a voz mais alta do que pretendia.
Ela não virou.
— Agora não, Pedro.
Letícia permaneceu de costas, apertando o botão do elevador outra vez, o maxilar tenso.
Pedro se aproximou, sem tocá-la, mas perto demais para fingir que não sentia.
— Você é diferente das outras — ele disse, a voz baixa, quebrada, como se cada palavra custasse coragem