Londres recebeu-nos como uma rainha viúva, vestida de cinza, fria e imponente. A chuva fina batia contra as janelas da limusine que nos levava do aeroporto privado de Luton para o centro da cidade, transformando as luzes da rua em borrões de ouro líquido.
Pedro estava sentado ao meu lado, a segurar a minha mão com aquela firmeza habitual, mas o seu olhar estava fixo na paisagem lá fora. Ele estava em "modo de guerra". O maxilar travado, os ombros tensos sob o sobretudo de lã preta. — Odeio esta cidade — murmurou ele. — Cheira a dinheiro velho e hipocrisia. — Cheira a oportunidade — corrigi, apertando a mão dele. — E a chá Earl Grey. Tente relaxar. Nós não somos invasores, Pedro. Somos convidados de honra.
Ele virou-se para mim, e o brilho nos seus olhos era perigoso. — Nós somos invasores, Isabella. Vamos entrar no território de Vane, comer a comida dele, beber o vinho dele e, no final da noite, vamos sair com o mercado dele no bolso. Se isso não é uma invasão, não sei o que é.
Sor