Capítulo 3

Celeste observando a cena, sentia-se apagada diante da grandiosidade das palavras destinadas à irmã. Júlia e Roberto ao lado de Melissa, atentos apenas para ela, como se Celeste fosse invisível. Nem sequer lhe dirigiam um olhar, como se sua presença fosse um detalhe apagado da cena. O timbre das vozes preenchia o espaço, criando uma cadência suave, mas incapaz de atravessar a barreira silenciosa que envolvia Celeste.

Ainda assim, permanecia calada, e o leve sorriso em seus lábios irradiava uma paz que contrastava com a tensão ao redor.

Então a voz tênue de Júlia quebrou o silêncio:

— E mais. Meu amor. — disse, com um suspiro que parecia carregar séculos de história

— Essa será sua chance de carregar o nome da nossa família além do que qualquer um jamais imaginou...

Ela inclinou o rosto, e a luz trêmula dos candelabros desenhou sombras delicadas em seus traços. O brilho em seus olhos parecia proclamar não apenas um destino, mas uma verdade ancestral. Enquanto Roberto, ao lado, observava as duas com um olhar firme e um leve sorriso sereno.

— E, para ser a maior estrela do universo. Para ser amada. Para ser eterna. — completou Júlia.

Melissa riu, o som carregado de emoção e calculismo. Sua risada não era leve, era medida, como se cada nota tivesse sido escolhida para provocar e encantar, ecoando como uma melodia perigosa no silêncio da sala.

— Mãe... se essa é minha chance de ser a maior estrela, ser eterna.

— disse Melissa, com um brilho quase desafiador nos olhos.

— Então eu estou determinada a vencer esse jogo de escolha... e o Edward se tornará meu...

A sala pareceu prender a respiração diante de suas palavras. Júlia e Roberto riram satisfeitos, seus sorrisos revelando não apenas aprovação, mas também orgulho.

Celeste, porém, reagiu diferente. Seus olhos se estreitaram, seu sorriso se desfez lentamente, cada traço de serenidade substituído por uma gravidade silenciosa.

Ao ouvir a determinação de Melissa, sentiu que o instante de agir havia chegado. Uma energia diferente percorreu seu corpo, como se tivesse se transformado em outra mulher, sem timidez, sem medo, e sim uma força que crescia dentro dela.

Respirou fundo, e levantou-se da poltrona com cautela, o tecido rangendo suavemente sob o movimento, como se até o ambiente reconhecesse a importância daquele gesto.

Seus olhos, antes distantes, agora se fixavam em Melissa com uma intensidade que parecia atravessar a pele e alcançar a alma.

Ergueu o queixo, os ombros retos, e sua postura irradiava uma confiança quase desafiadora, como se estivesse diante de uma batalha invisível.

Com um sotaque carregado de uma rara firmeza, disse:

— Melissa, você nem conhece ele... como sabe que ele irá se ajoelhar aos seus pés?

— O que você disse!? — Perguntou irritada.

— Você ouviu. — rebateu Celeste, o tom seco.

Roberto e Júlia estreitaram o olhar, surpresos com a rara coragem de Celeste. O gesto foi breve, mas suficiente para revelar o impacto que suas palavras haviam causado. Não estavam acostumados a vê-la erguer a voz, muito menos a enfrentar com firmeza o peso de seus olhares.

Celeste inclinou a cabeça, permitindo que um sorriso discreto, quase imperceptível, surgisse em seus lábios, não de alegria, mas de desafio.

E com a voz firme, e um toque de ironia, como se cada palavra fosse uma provocação escolhida para ferir, concluiu:

— Sei que você não é a melhor jogadora... há sempre uma primeira vez pra perder...

Nesse instante, o olhar de Melissa, antes sereno, agora se tornava afiado como uma lâmina recém-forjada. Seus olhos, frios e calculistas, fixaram-se em Celeste com uma intensidade que parecia atravessar a pele e alcançar a alma. Não havia hesitação em sua expressão, apenas uma determinação gélida que se espalhava pelo ambiente como um vento cortante.

Ela se afastou dos pais, e se aproximou devagar de Celeste, cada passo ecoando no chão como um desafio silencioso.

Seu olhar não vacilava, e a tensão entre as duas crescia, como se o espaço entre elas fosse preenchido por uma energia elétrica prestes a explodir.

Parando diante da irmã, Melissa inclinou levemente o rosto, e com a voz carregada de veneno disse:

— É melhor retirar o que disse, Celeste. Ou então...

Sua voz vacilou, ao perceber a firmeza e a coragem brilhando nos olhos de Celeste. O veneno que antes parecia transbordar em suas palavras agora se misturava com uma hesitação quase imperceptível.

O silêncio que se seguiu foi sufocante, como se até o ar tivesse medo de se mover.

Mas os olhos de Celeste não vacilavam. Havia orgulho em sua postura, uma resistência silenciosa que se erguia diante da ameaça.

— Ou então o quê? — retrucou Celeste, de cabeça erguida. Sua voz saiu firme, cortando o silêncio como uma lâmina. — O que vai fazer?

— Idiota... Ele nem vai olhar prá você. — Sorriu ironicamente.

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