capítulo 6

Sai da sala com o contrato na mão.

Tive uma única conclusão de tudo isso.

Minha vida tinha acabado de sair do controle.

De novo.

respirei fundo.

Olhei para o papel

— Não acredito que estou noiva... do meu chefe.— murmurei.

pausa

— Isso é no mínimo esquisito.

— Concordo plenamente.

Dei um pulo

virei e dei de cara com Rodrigo.

Ele estava encostado na divisória, com um café na mão e um sorriso que claramente significava problema.

Ele era.

analista financeiro

fofoqueiro profissional

e infelizmente meu amigo.

— Há quanto tempo você está aí? — perguntei desconfiada.

— Tempo suficiente para saber que você já fez alguma merda hoje.

— Eu não fiz nada tá legal

Ele olhou para o papel na minha mão.

Depois para mim.

— Lily...

suspirei alto

— Tá bom...

Ele se aproximou.

— O que você fez?

Inclinei a cabeça.

— Hipoteticamente falando…

— Fala logo e para de me enrolar.

— Eu falei que ele está noivo.

Rodrigo piscou.

Uma vez.

Duas.

— Você… o quê?

— Foi sem querer tá legal!.

— Sem querer você tropeça. Não inventa um noivado logo para o seu chefe.

— Eu estava sob pressão. Não sabia oque falar.

Ele passou a mão no rosto

— Meu Deus Lily agora você vai ser demitida.

Tomou mais um gole de seu café

— E com quem você inventou que ele está noivo?

Olhei para ele.

Ele me olhou de volta.

Os olhos dele se arregalaram lentamente.

— Não.

— Sim.

— LILYYY...

— Eu sei. Agora fica quieto porque ninguém pode saber que eu inventei isso.

Ele começou a rir.

Alto.

Sem controle.

— Isso é a melhor coisa que já aconteceu nessa empresa — disse entre risadas.

— Eu posso ir presa?

— Não sei, mas eu pagaria pra ver.

Revirei os olhos.

— Você é um péssimo amigo.

— Eu sou um ótimo espectador.

— Isso é o quê?

— Um contrato.

— Claro que é.

— De noivado.

Ele respirou fundo.

— Deixa eu ver isso.

Ele pegou o papel da minha mão e começou a ler.

Silêncio.

Então ele riu de novo.

— “Contato físico mínimo aceitável”?!

— Não comenta.

— “Sem sarcasmo excessivo”? Isso aqui já começa inválido.

Cruzei os braços.

Ele continuou lendo.

— “A Parte B deve segurar a mão da Parte A espontaneamente”… Lily, isso aqui é um romance ruim.

— Obrigada.

— Não foi um elogio.

— Eu escolhi interpretar como um.

Ele levantou o olhar.

— Você percebe que isso vai dar muito errado, né?

Inclinei a cabeça.

— Eu prefiro pensar que vai dar… interessante.

Antes que eu pudesse responder, ouvi uma voz atrás de mim.

— Lily.

Congelei.

Beatriz estava parada com alguns papéis na mão.

Ela era

recepcionista

organizada

eficiente

e sabia de absolutamente tudo que acontecia na empresa

ou seja.

Conseguia ser mais fofoqueira que o Rodrigo.

— Eu deveria saber o que está acontecendo?

Sorri.

— Não.

— Isso sempre significa algum desastre.

Rodrigo, traidor profissional, abriu a boca.

— Na verdade—

Eu pisei no pé dele.

Forte.

— Na verdade nada — cortei rápido, sorrindo como se minha vida não estivesse desmoronando — é só… um assunto pessoal.

Rodrigo fez uma careta de dor.

— Muito pessoal — completei, olhando para ele com um sorriso ameaçador.

Beatriz não pareceu convencida.

Ela olhou para mim.

Depois para Rodrigo.

— É que ela está noiva.

Meu coração parou.

Literalmente.

Rodrigo olhou para mim.

Eu olhei para ele.

Ele sorriu.

O idiota sorriu.

Beatriz piscou.

— …O quê?

Sorri.

Naturalmente.

Ou pelo menos tentei.

Rodrigo virou o rosto pra esconder o riso.

— Ela e o Nathan estão noivos.

Rodrigo soltou um riso abafado.

Eu lancei um olhar mortal pra ele.

Beatriz me encarou como se estivesse tentando decidir se eu estava brincando ou se tinha perdido completamente o juízo.

— Isso é sério?

— Sim.

— Você e o senhor Vasconcelos?

— Sim.

Rodrigo murmurou:

— Eu avisei que ia dar ruim…

Pisei no pé dele de novo.

Beatriz cruzou os braços.

— Desde quando?

— Desde… hoje.

— Hoje?!

— Foi… rápido.

— Muito rápido.

— A gente é eficiente.

Rodrigo tossiu.

— E apaixonados — acrescentou, claramente tentando piorar tudo.

Eu sorri sem mostrar os dentes.

— Muito.

Beatriz ainda não parecia convencida.

— Isso não faz sentido.

— Amor não faz sentido — respondi automaticamente.

Rodrigo virou o rosto pra parede.

Ele estava rindo.

Eu ia matar ele.

— Eu vou fingir que isso é normal.

— Ótimo — respondi rápido demais.

— Mas não é.

— Nem um pouco.

Beatriz começou a sair, mas parou no meio do caminho.

Ela me analisou por mais um segundo.

Depois saiu desconfiada.

Eu virei lentamente para Rodrigo.

Ele ainda estava rindo.

— Você é um péssimo ser humano.

— Isso foi incrível — disse ele, limpando uma lágrima de tanto rir.

— Eu quase tive um infarto.

— Valeu a pena.

— Se isso explodir na minha cara, eu te levo junto.

— Eu vou com orgulho.

Antes que eu pudesse responder, a porta do escritório do Nathan se abriu.

Silêncio instantâneo.

Ele saiu.

Assustadoramente elegante.

Os olhos dele foram direto para mim.

Depois para Rodrigo.

— Lily.

— Sim?

— Meu escritório. Agora.

Sorri.

— Claro.

Olhei para Rodrigo.

Que fez um gesto de “você está morta”.

Respirei fundo.

E fui.

Porque, sinceramente?

Inventar um noivado já era ruim.

Mas lidar com o Nathan depois disso…

Era definitivamente pior.

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