capítulo 5

— Eu também tenho condições — falei, cruzando os braços.

Nathan nem levantou os olhos.

— Isso não é uma negociação, Lily.

Dei um "chega pra lá" educadamente em Nathan

— Vou acrescentar algumas cláusulas essenciais.

— Eu tenho medo dessa palavra vindo de você.

Sorri.

— Você deveria.

Comecei a escrever.

11. A Parte B (Nathan) está proibida de usar aquele olhar julgador em público, especialmente quando a Parte A (eu) estiver apenas existindo.

— Isso é ridículo — ele disse, finalmente levantando os olhos.

— Não é — respondi, sem nem olhar pra ele enquanto escrevia. — É essencial.

12. A Parte B não pode, sob nenhuma circunstância, usar frases como: “Eu avisei”

ou

“Isso era óbvio”

Penalidade: silêncio constrangedor + desprezo emocional.

Nathan soltou uma risada curta, sem humor.

— Isso aqui não tem validade legal nenhuma.

Ele me encarou.

Ignorei completamente.

13. A Parte A tem direito de mudar de ideia sem aviso prévio.

Isso não configura contradição.

Configura evolução.

— Isso não faz sentido — ele disse.

Parei de escrever.

Olhei pra ele.

Devagar.

— Você quer mesmo continuar usando essa frase?

Silêncio.

Ele fechou a boca.

14. A Parte B deve concordar com qualquer história inventada pela Parte A em público.

Sem questionamentos.

Sem expressões faciais suspeitas.

— Não vou entrar nas suas mentiras.

Cruzou os braços.

— Você já está na maior delas.— lembrei

15. A Parte A pode usar apelidos em público sem sofrer interrupções ou olhares de desaprovação.

— Você não está nem louca.

dei um sorriso de canto.

16. A Parte B deve segurar a mão da Parte A espontaneamente em eventos sociais.

Mesmo que isso o deixe desconfortável.

Nathan passou a mão no rosto.

17. A Parte A tem direito a um elogio por evento.

E não pode ser algo genérico como “você está… aceitável”.

— Aí você já está passando dos limites.

— Calma eu já estou acabando.

18. A Parte A pode invadir o espaço pessoal da Parte B sempre que necessário para manter a farsa…

ou por motivos pessoais.

Ele me olhou.

— Quais motivos pessoais?

Dei de ombros.

— Nunca se sabe .

19. Caso a Parte A tropece, a Parte B deve segurá-la.

Mesmo que ela não esteja caindo de verdade.

— Você vai fingir tropeçar, não vai?

— Eu não preciso fingir. Isso é quase certo que vai acontecer .

20. A Parte B deve defender a Parte A, mesmo quando ela estiver claramente errada.

Especialmente nesses casos.

— Estou considerando desistir do contrato com os estrangeiros e acabar com isso.

revirei os olhos.

— Só mais uma.

21. A Parte B não pode reclamar de nenhuma dessas cláusulas depois de assinar.

Silêncio.

Nathan ficou olhando para o contrato.

Então ele se inclinou na cadeira, me observando.

— Terminou?

Sorri, satisfeita.

— Sim!.

Ele respirou fundo.

Mandou o arquivo para impressão.

Assim que ficaram prontos ele veio com o papel e uma caneta chique

tipo aquelas que valem o meu salário.

Ele respirou fundo.

me encarou

E assinou.

Devagar.

Como alguém que sabe exatamente que acabou de tomar a pior decisão da própria vida.

Sorri.

— Relaxa. Isso vai dar muito certo.

Pausa.

— Ou muito errado.

Observei a assinatura.

Bonita.

Elegante.

Irritantemente perfeita.

— Pronto — disse ele.

Peguei o papel.

Olhei.

Depois olhei pra ele.

— Então agora é oficial?

— Não.

— Não?

— Continua sendo uma péssima ideia.

Sorri.

— Mas agora é uma péssima oficial.

Nathan ignorou.

— Temos sete dias até o jantar.

Ele cruzou os braços.

— E até lá, você vai aprender a agir como uma pessoa minimamente confiável.

— Isso parece um ataque pessoal.

— É um fato.

Suspirei.

— E o que exatamente você espera?

Nathan começou a listar nos dedos.

— Você não vai inventar histórias.

— Difícil.

— Não vai se contradizer.

— Mais difícil.

— E não vai me chamar de “amorzinho” e nenhuma coisa idiota em público.

Fiz uma pausa.

— Não posso prometer isso.

Ele fechou os olhos por um segundo.

— Lily…

Inclinei a cabeça.

— Sim, querido?

Ele abriu os olhos devagar.

— Não faça isso.

Sorri.

— Já estou entrando no personagem.

Nathan passou a mão no rosto.

— Eu vou me arrepender disso.

Isso era um fato que não poderia negar

— Eu devia ter te demitido no primeiro dia.

— E perder tudo isso?

Fiz um gesto amplo com a mão, apontando para mim.

— Seria um desperdício.

Ele me encarou por alguns segundos.

E, pela primeira vez…

quase sorriu.

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