Acordei com a luz da manhã filtrando pelas frestas da cortina. O som distante de passos e vozes no andar de baixo indicava que a casa já estava viva, mas ao meu redor, tudo parecia inerte. A cama ainda carregava o calor da noite passada, mas Bernardo não estava mais ali.
Me virei para o lado onde ele dormira. O travesseiro afundado, o lençol bagunçado… e um vazio que pesava mais do que eu gostaria de admitir. O travo amargo na garganta não era apenas sono mal dormido — era arrependimento, era