O som do teclado preenchia a sala com aquela regularidade que Valéria havia aprendido a usar como âncora. Rápido. Preciso. Controlado.
Cada tecla era uma decisão pequena e objetiva numa vida que havia estado cheia demais de decisões grandes e impossíveis. Os números na tela obedeciam regras que não mudavam de humor, relatórios que respondiam exatamente ao que era perguntado, planilhas que tinham a decência de serem previsíveis.
Ela havia chegado ao escritório antes de todo mundo naquela manhã.