Arthur não foi embora.
Valéria ouviu a porta não se fechar. Ouviu o silêncio que havia se instalado depois das últimas palavras dela — aquele silêncio que deveria ter sido o fim, que em qualquer outra versão daquele homem teria sido o fim, porque Arthur havia passado a vida inteira sendo alguém que saía dos quartos quando as conversas ficavam mais pesadas do que ele havia planejado.
Mas ele ficou.
Ela continuou olhando para a tela. O cursor piscava com aquela indiferença mecânica de quem não sa