Mundo de ficçãoIniciar sessãoContratei um marido na porta do cartório com o dinheiro que roubei dos meus pais. Tudo para fugir de ser obrigada a me casar com o velho asqueroso Bernardo Santos. Tudo seria diferente se meu namorado não tivesse me trocado pela minha irmã. Eu só não esperava que o Rafael da minha certidão de casamento fosse o Rafael Costa Valente, o CEO Destruidor, como é chamado. Não foi o mocinho nem o príncipe que me salvou das garras de uma família cruel, foi o vilão; meu ex-quase-sogro.
Ler maisNarrado por Clara Luz
— Preciso me casar hoje! — murmuro baixinho para que ninguém me ouça e declare louca.
Meu coração b**e rápido e descompassado no peito, enquanto cutuco o canto das unhas e ando de um lado para o outro na frente do cartório esperando “ele”: o homem que contratei pela internet.
— Se esse homem não vier, estarei morta. — Estou prestes a infartar de desespero. Está quase na hora do cartório fechar.
Olho as horas no meu celular pela enésima vez. É quase difícil ver pela tela trincada. Resultado de uma “briga” com minha meia irmã em que ela jogou meu celular em mim, e como desviei ele foi parar na parede. Afinal, eu não brigo com ela, tenho que aceitar calada. Na verdade, tenho que engolir ofensas diárias de todos na família Monteiro. É minha obrigação por eles terem criado e dado o sobrenome para uma filha adotiva, encontrada no lixo.
Deus, ele não vem. É melhor aceitar meu destino. Tenho meia hora. Depois disso, terei que voltar e aceitar que meu destino é ser vendida para o senhor Bernado Santos, o velho asqueroso gerente da multibilionária Valente Security Group. É isso mesmo, em pleno século vinte e um. Estou me sentindo em um releitura malfeita de Cinderela, onde o final será uma corda no meu pescoço. Porque eu juro que me mato antes de deixar aquele velho nojento me tocar.
Mais dez minutos se passam, e nada do homem que contratei.
— É o meu fim.
Tento respirar fundo e me viro para entrar no cartório para ajoelhar no chão e chorar. Talvez assim alguém tem pena e aceite se casar comigo pelos cem mil que tenho a oferecer.
No momento em que viro, o impacto acontece.
— Ahhhh! — grito e balanço as mãos no ar, em busca de algo em que eu possa me agarrar para não cair. Só encontrei vento. Fui direto com a bunda no chão. É onde fico, encarando de baixo o homem que me derrubou.
Ele deve ter quase dois metros e se veste como um vilão dos filmes; todo de preto. Terno, calça, sapatos... Até a cueca deve ser preta. Só pode. O reflexo do sol me impede de ver direito seu rosto, coloco a mão na testa para ver a cara de quem me derrubou. É lindo. Pele clara, cabelos extremamente escuros e olhos cinzas... Mas o que tem de lindo tem de idiota. O troglodita não se desculpa por ter me derrubado, nem me ajuda a levantar. Ele fica ali, me encarando como se eu fosse culpada por cair e atrapalhar seu dia. Consigo até ver a veia saltada no pescoço e a mandíbula marcada.
— Está fazendo o que no chão? — Uma voz masculina se faz ouvir, e não é do homem que me derrubou.
Me viro e vejo o rapaz do aplicativo. Luciano. Sim, me arrisquei a encontrar alguém para se casar comigo por dinheiro em um aplicativo qualquer de namoro. É o que o desespero faz com as pessoas. Ele olha da estátua humana para a mulher esparrachada no chão. Também não é cavalheiro. Cadê a educação dos homens de Valdora? Peço jeito, todos os homens educados foram extintos.
Como percebo que vou ter que levantar sozinha, é o que faço. É vergonhoso.
— Foi um acidente — explico ao recém-chegado.
Me pergunto por que o outro homem não vai embora. Ele está andando de um lado para o outro, encarando a tela de um celular. Quero que ele vá embora. Não estou nada animada de combinar casamento pago na frente de ninguém.
— Vamos nos sentar ali e conversar — digo ao meu contratado.
Ele nega com a cabeça, e eu franzo o rosto sem entender.
— Não posso aceitar seus cem mil para casar. Você — ele me olha de cima a baixo — não é bonita como nas fotos. As benditas fotos que tirei escondida usando as roupas caras da minha irmã.
Seu comentário me faz olhar minhas roupas de agora. Calça jeans velha e moletom, além disso meu cabelo está preso em um rabo de cavalo desajeitado. Sei que não estou em meu melhor momento, mas mereço um desconto, estou passando pelo pior momento da minha vida, e olha que já tive muitos momentos ruins.
Reviro os olhos quando paro de me analisar, lembrando do exato motivo que me trouxe aqui.
— O casamento não é real, Luciano. Te expliquei isso quando conversamos por mensagens — digo sem muita paciência.
Estou exausta. Só quero acabar com isso e aproveitar meus últimos minutos antes de voltar para casa e servir o jantar da família Monteiro pela última vez.
— Sim, mas, de qualquer forma, quero ao menos duzentos mil.
Meu Deus! Só pode ser brincadeira.
— Eu só tenho cem — explico.
Ele dá de ombros. Depois se vira para ir embora, dizendo:
— Quando conseguir o resto, sabe onde me encontrar.
— Mas eu preciso me casar agora. É a minha última chance, Luciano. — Vejo ele dar de ombros outra vez. Meus olhos se enchem de lágrimas. Uma mistura de ódio e desespero me sufoca.
— Eu achei que era uma pegadinha. Nem ia vir. Só fiquei curioso. Casar de verdade não é brincadeira. Pelo menos duzentos mil. Afinal, depois disso, no mínimo serei divorciado. E no máximo terei uma doida no pé. Não tô passando fome pra me sujeitar a isso.
Após soltar essas palavras, ele simplesmente vai embora.
Será que estou sendo castigada por roubar esse dinheiro dos meus pais? Foi o desespero que me fez agir assim. Estou apavorada com a possibilidade de me casar com aquele velho cruel.
Olho para o céu, completamente sem esperança. Talvez eu deva sair perguntando a qualquer homem se aceita se casar, mesmo correndo risco de ser roubada... ou pior.
— O que vou fazer agora? — murmuro.
— Eu me caso com você por cem mil. — A voz surge do além.
— Deus! Que susto! — Havia me esquecido do homem que me derrubou. Ele está parado no mesmo lugar, com a mesma expressão. Acho que cansou do celular. — O que disse?
Ele revira os olhos escuros, irritado.
— Esquece. Não tenho paciência para gente lerda.
— Desculpe. — A palavra sai da minha boca sem eu nem perceber. Estou tão acostumada com ela.
— Desculpe? — Ele levanta a sobrancelha. — Eu te derrubei, te chamei de lerda, e você pede desculpas?
— O senhor não deve ter me derrubado por vontade.
— E se foi?
— Seria um babaca de alto nível. — Sinto meu corpo formigar como se sentisse a surra que essa frase traria. Dizer uma verdade desse tipo só me rende castigos.
Para minha surpresa, o homem ri.
— Vai casar ou não? O cartório já vai fechar.
Narrado por Clara LuzDepois da vergonha de ser flagrada encarando Rafael recém-saído da piscina, ainda passei por uma sessão de gagueira, além de quase espionar ele tirando a única peça de roupa que escondia seus segredos masculinos.Ele me levou para tomar café da manhã. Fiquei meio sem jeito de me sentar diante da mesa tão farta, mas disfarcei. Em casa eu também tomava café da manhã com minha família, mas era eu que colocava a mesa e tirava.Depois de devorar biscoitos, bolos e frutas, Rafael deixa o copo de café sobre a mesa e me olha.— Satisfeita? Se estiver terminado, vou te levar para providenciar roupas.Saciada, essa é a palavra. Tudo muito delicioso.— Obrigada pela comida. — Levanto e começo a juntas as coisas, é automático.— O que está fazendo? — ele pergunta curioso com meu gesto.— Arrumando a mesa.— Se fizer isso vai comprar guerra com Giodete, ela odeia que interfiram em seu trabalho.Paro as mãos sobre os pires sem saber o que fazer. Simplesmente não sei como sair
Narrado por RafaelNão tenho nenhum problema em dividir a cama com uma mulher, mas vamos evitar processos e armadilhas. Para isso, liguei a câmera que tenho no quarto e coloquei algumas almofadas separando os dois lados da cama. Sei que filmar é abusivo, mas não vou precisar olhar as imagens se ela não fizer nenhuma gracinha. Não tenho intenção de espionar sua intimidade.Me deito e chamo ela para dormir. A garota se deita ao meu lado e fica mexendo na cama como se estivesse incomodada com o colchão. Isso me faz demorar um pouco a pegar no sono. Quando ela finalmente para quieta, durmo.O lugar onde estou é escuro. Não vejo nada. Ando tateando o breu em busca de tocar em algo que possa me apoiar. Parece uma eternidade. Não encontro nada. Onde eu vim parar? Como cheguei aqui? Continuo andando com as mãos na frente e com cuidado. Quando sinto que isso não terá fim, deixo meu corpo cair de joelhos no chão enlameado. Pelo menos acho que é lama. Quando meus joelhos tocam o chão, tudo se i
Narrado por Clara LuzOlho a paisagem na janela, enquanto penso sobre os últimos acontecimentos. Quase desmaie de tesão minutos atrás ouvindo as palavras de Rafael. Me imaginei ali naquela cozinha, nua, trapos de roupas no chão enquanto aquele homem se enterrava em mim. Doía perder minha virgindade assim, mas eu queria mais. Não implorava para parar, implorava por mais... Deus! Meu corpo se arrepia só de imaginar.Eu não era assim. Quando estava com Lucas me sentia bem com seus beijos, com os carinhos, mas era só ele colocar a mão em um lugar minimamente mais intimo que eu tirava, incomodada. Por isso nem me importei com a clausula sobre sexo no contrato. Agora esse homem me faz ter esses pensamentos e desejo apenas com palavras. Eu não devia ter falado sobre minha virgindade, apenas escapou. Não por ter sido ensinada sobre sexualidade pelos meus pais, aprendi sozinha. Ter que ouvir dele como devo me comportar foi um balde de água fria, me fez pensar na minha situação. Não tem nem vin
Narrado por RafaelVoltar para casa e encontrar essa cena é covardia com minha libido. Clara está deitada na ponta da cama, usando uma de minhas camisas como vestido. A porra do tecido subiu um pouco, deixando pele demais à mostra para minha sanidade.Só percebo que me aproximei quando meu corpo já está curvado sobre ela. O desejo de beijar essa boca pequena me toma por completo. Tenho que fazer muito esforço para manter o foco e chamá-la.— Clara! — Nada. Ela continua dormindo. — Clara!Ela murmura alguma coisa sobre limpeza e abre os olhos verdes, me deixando atordoado com a intensidade deles.Quando penso em me afastar, antes de fazer merda, a garota levanta de uma vez. Ai sim acordo para a realidade. A cabeçada que essa desastrada dá contra meu nariz é o suficiente para isso.— Porra! — resmungo, buscando sangue com as mãos. Ainda bem que não sangrou.— Desculpa! Sinto muito! — ela começa a falar. Parece nem ter acordado direito ainda. Só isso explica a garota agarrada a minha cam










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