Mundo de ficçãoIniciar sessãoNarrado por Rafael Costa Valente
— Deus! Que susto! — Ela me olha meio assustada e desconfiada. — O que disse?
Reviro os olhos, impaciente. Pessoas lerdas me deixam irritado.
— Esquece. Não tenho paciência para gente lerda. — Começo a pensar que a minha ideia não é tão boa assim.
— Desculpe.
— Desculpe? — Levanto a sobrancelha, sem acreditar no que ouvi. — Eu te derrubei, te chamei de lerda, e você pede desculpas?
— O senhor não deve ter me derrubado por vontade.
— E se foi? — provoco.
— Seria um babaca de alto nível. — Ela parece assustada com as próprias palavras.
Solto uma risada breve. A gatinha tem garras, só estavam escondidas.
— Vai casar ou não? O cartório já vai fechar.
Ela abre a boca para responder, mas minha mãe aparece na porta me chamando.
Não perco tempo e puxo ela para os meus braços. Ela me olha surpresa e assustada. Posso sentir seu coração disparado contra o meu peito.
— Responda logo — exijo encarando seus olhos e sua boca. — Não tenho tempo a perder.
— Tu-do bem. Eu me caso. — Gagueja um pouco.
— Então, agora você vai fingir que é minha namorada para aquela senhora. — Ela abre a boca para questionar, mas não deixo. — Só deixe que eu fale. — Coloco ela ao meu lado, segurando sua cintura. Uma parte é encenação e outra é para não ter risco que fuja.
Dona Isabela se aproxima desconfiada, encarando nós dois. Espero que acredite nessa farsa.
— Laura vai se atrasar um pouco, mas consegui que eles aguardem lá dentro. — Ela encara a mulher, que acabei de descobrir nem saber o nome. — E quem é essa moça linda?
— É o motivo pelo qual não vou casar com Laura. Essa é minha namorada. — Arrisco dizer. É hora da verdade. Será que ela acreditará?
— Meu nome é Clara Luz Monteiro, senhora. — A voz baixa sai da boca da mulher ao meu lado, como se ela escutasse os meus pensamentos sobre não ter questionado seu nome.
— Oh! Você é tão linda. — Ufa! Ela já está encantada. Em algumas coisas é tão fácil agradar essa senhora. — Você veio aqui fora falar com ela?
— Isso mesmo. Eu ia levar as duas para almoçar aproveitando a chance para apresentá-las, mas descobri a armadilha da minha mãe antes de contar a surpresa.
— Ai! Não chame de armadilha. A culpa é sua por nunca ter mencionado essa querida. — Ela segura a mão de Clara. — Vamos entrar, vocês vão se casar.
Imaginei que isso aconteceria. Claro que Isabela Costa não aceitaria apenas um namoro.
Clara me encara, sem saber o que fazer.
— Foi isso mesmo que falei com ela. Se for para me casar obrigado, que pelo menos seja por amor.
Sei que troquei um casamento indesejado por outro, mas pelo menos esse é um acordo financeiro do qual posso me livrar mais facilmente. Assim espero.
Narrado por Isabela Costa Valente
Juro que não sei como aquela vagabunda fez, mas tenho certeza que Lucas não é meu neto. Já ofereci fortunas aos que fizeram os exames para contar a verdade, mas todos insistem que o resultado do teste de paternidade é aquele. Mas eu vou descobrir. Não há nada que escondam do meu faro. E a mentira que meu filho está tentando me pregar com essa moça é um exemplo disso. Namorada um ova! Até parece que com toda minha insistência em casá-lo ele já não teria apresentado ela. Pela expressão confusa da garota, eles nem se conhecem direito.
Enquanto observo a rápida cerimônia e o beijo confuso dos dois, sorrio satisfeita. Para eles pode ser uma farsa, mas vou dar meu jeito de transformar esse casamento em algo real, assim que tiver em mãos o dossiê completo sobre essa moça e ter certeza que não é outra Hellen golpista.
Claro que quero um netinho e ver meu filho casado, mas Hellen, mãe do Lucas, é o maior motivo para eu estar tão desesperada por isso. Estou de olho nela, nas suas tentativas de se aproximar do meu filho desde que Lucas passou a receber a “pensão” direto do pai. Descobri que o rapaz gosta de gastar o dinheiro com farras, e isso está tirando o luxo dela, logo precisa de outra fonte, afinal não pode simplesmente pedir a Rafael, então ela quer o sobrenome, uma aliança no dedo e acesso a toda fortuna da nossa família. Jamais deixarei isso acontecer.
Observo os dois fingindo um namoro em minha frente. Espero que essa mulher seja realmente o que seus olhos lindos mostram. Se ela for, vou mover céus e terras para que esse casamente se consuma e meu neto venha. Ai, meu Santo Antônio! Se ele tiver olhinhos dessa cor eu vou morrer de amores.
— Vamos almoçar, mulheres da minha vida. — Meu filho aperta sua nova esposa contra o corpo. Quando abro a boca para responder, meu celular começa a tocar.
— Com licença um momento.
Me afasto um pouco para atender. É só minha melhor amiga: Clarinda. Ela queria saber se meu plano deu certo.
— Amiga, saiu completamente diferente, mas deu certo — respondo sorrindo e olhando o casal afastado, ambos olhando as certidões.
Clarinda pede, implora na verdade, para que eu vá almoçar com ela e conte tudo. Tenho pena da minha amiga, a vida dela meio que parou desde que sequestraram sua filha recém nascida e nunca devolveram, nem depois do resgate pago. O marido passou a viver pela empresa, e ela se isolou em casa. Sou uma das poucas amigas que a visita, e ela meio que vive por minhas aventuras.
— Estou indo. Vou precisar da sua ajuda para descobrir tudo sobre minha nova nora.
Desligo e vou até o casal me despedir com uma desculpa qualquer. Quero descobrir tudo sobre Clara antes de passar a conviver com ela. O que eu descobrir vai determinar como será essa convivência.
Clara Luz Monteiro... Espero que realmente seja luz.







