Lúcia Mendes
A livraria ficou para trás com cheiro de papel novo e promessas de rimas sobre bichinhos. Eliza saltitava com as luzinhas dos tênis piscando, orgulhosa como se tivesse ganhado um troféu.
“Agora a gente compra o chocolate amargo do papai?”, ela perguntou, apertando minha mão.
“Chocolate e… água. Sua mãe precisa de água.” Sorri. “Depois a gente vê uma camiseta pra você usar na aula de educação física.”
Viramos no corredor das lojas e, em três passos, tudo aconteceu rápido demais. Um garoto veio de lado, distraído com o celular e o copo de refrigerante na outra mão. Esbarrou no meu ombro, o copo voou e um jato marrom e