Mundo de ficçãoIniciar sessão🌕🐺 Rowan Blackstone,
O dia começou como todos os outros na alcateia Carvalho Negro. As primeiras horas da manhã eram preenchidas por relatórios, audiências internas, acordos comerciais e assuntos territoriais. Havia uma rotina ali, e nela eu encontrava o conforto da previsibilidade. Minha sala era tranquila, como eu gostava. De madeira escura, paredes adornadas com mapas e registros de linhagem, e uma grande estante repleta de arquivos da matilha. A janela aberta deixava o vento passear no ambiente com seu aroma de floresta e terra molhada. Meus olhos estavam na tela do computador, mas minha mente vagava. — Irmão — A voz de Darian rompeu a minha concentração. Ergui os olhos, e lá estava ele: o sorriso sempre presente, a energia juvenil que nem os anos conseguiram apagar. Darian podia ser Beta, mas sua alma era leve demais para o peso que carregávamos. — Você está me dizendo que aceitou como pagamento da dívida que o Alfa Neros tem com você a filha dele? — minha voz saiu mais fria — Enlouqueceu? — Acho que sim. — ele respondeu, antes de soltar uma gargalhada alta, clara, cheia de vida. Eu deveria repreendê-lo, mas era exatamente esse som que mantinha minha escuridão sob controle — Irmão, não encontramos nossa Luna na nossa alcateia, deve ser porque ela não está aqui. Suspirei, empurrando a cadeira para trás e me sentando com firmeza, os olhos voltando para o computador. — Vai mesmo perder seu tempo com uma fêmea? Era melhor cobrar a dívida em dinheiro ou terras. Não havia sarcasmo. Era apenas fato. Fêmeas não nos trariam mais do que complicação. Ligados ou não, sempre havia dor. — Não vou desistir. Você precisa de uma Luna, e eu também. Tenho esperança por nós dois. — Não se importe comigo. Já entendi qual será meu destino. Aceito, com desgosto. Darian se aproximou mais um passo, firme: — Mas eu não. E não vou permitir que você desista ou aceite. Ela chegará em breve. Mandei preparar o salão principal para a chegada dela. Esteja no seu lugar, e eu estarei ao seu lado, como sempre. Fiquei calado. Meu olhar fixo nos arquivos abertos à minha frente. Não era o Darian que me irritava. Era eu. A forma como permiti que a esperança escorresse pelos meus dedos com o passar dos anos, como se fosse areia que nunca consegui agarrar. E ele ainda acreditava por nós dois. Quando ele saiu da sala, sorrindo como se o mundo estivesse prestes a mudar, a quietude voltou. Mas a minha mente não se calou. — Ela vem... Fechei os olhos. Era ele. Kaelar. Meu lobo. — Você sente, não sente? O ar está diferente. O sangue vibra de forma nova. — Cale-se, Kaelar. Não quero ilusões hoje. — Não é ilusão. É instinto. E você é um tolo se continua negando. Esperou tanto tempo para isso. Virei a cadeira de costas para a janela. Precisava de foco, de controle. Kaelar sempre aparecia nos momentos em que tudo escapava das mãos. Como se sentisse o caos se aproximando antes mesmo de tocar a porta. Pedi para ele se aquietar. E ele se aquietou. O dia passou sem novidades. Ordens foram assinadas. Documentos analisados. Ninguém mais falou sobre a fêmea que estava para chegar. Eu comecei a acreditar que, como tantas outras promessas, essa também havia sido esquecida. Até que a noite caiu. Eu já estava recolhendo os papéis, ajeitando o casaco sobre os ombros, pronto para deixar o gabinete, quando Darian entrou novamente. Mas ele não sorria, ele brilhava de felicidade. — Ela chegou na alcateia. Vamos para o salão principal para recebê-la. Meu corpo congelou, tudo ficou em câmera lenta. O ar. Os sons. Meus batimentos. Nada seria como antes. Uma estranha iria invadir meu lar.






