Um peso no corpo. Violet sente como se os membros estivessem cheios de algodão. Apesar de macio, o colchão sob suas costas parece distante, mesmo quando ela já está nele há horas.
O corpo acorda antes da consciência.
Lentamente, um som abafado que não revela nada parece apenas parte do despertar de seus sentidos.
Logo, vozes parecem vir de dentro d’água, um zumbido grave nos ouvidos, como se o mundo ainda estivesse com o volume baixo demais. Às vezes um “piiiii” insistente, às vezes só silêncio espesso.
Ela tenta puxar o fôlego aos poucos, a respiração entra meio descompassada. Um suspiro fundo, automático, como quem emerge pra pegar ar depois de ficar submerso. O peito sobe com força, e por alguns segundos ela só lembra de respirar — nada mais importa.
—Respire, Violet... eu estou aqui. —Apesar de soar familiar, aquela voz não parece lhe confortar agora.
A visão dela pisca quando os olhos se movem ligeiramente sob as pálpebras.
Luzes estouradas, manchas claras, tudo meio tremido.
O